Um fenômeno, que não tem outro nome senão desonestidade, ocorre com os derivados do petróleo. Se o produto matriz – que é o óleo bruto – sobe no mercado externo, a tendência é o preço subir nas bombas. Mas quando baixa – como agora, em 3% – não acontece o benefício ao consumidor. E isto não se dá apenas com os combustíveis mas com a maioria dos demais produtos. No caso dos alimentos, baixas também não costumam ocorrer nas gôndolas dos supermercados quando há excesso de produção e os preços caem nas fontes produtoras.
  A difundida crise financeira mundial fez cair a cotação do petróleo cru, mas as refinarias não repassam aos postos a mesma baixa e assim os usuários não são favorecidos. Os mercados estão convictos de que haverá recessão e queda de consumo, por isso anteciparam a baixa, mas isso pouco muda para o sistema de transporte se o benefício não contempla o consumidor final.
  A redução de custos de bens, mercadorias e serviços para a população seria uma forma de aplacar os efeitos da crise, mas se na ponta da linha é veloz a alta ante mínimos aumentos na origem, o mesmo não ocorre em contrário. Se neste momento empresas brasileiras clamam por socorro do Governo, o ministro Guido Mantega acaba de afirmar que isto não ocorrerá para aquelas que abusaram na especulação financeira. Se é preciso encontrar mecanismos que aplaquem o abalo corrente, a opinião pública se divide diante dos fatos, porque o sistema mercantil não é nada magnânimo com o consumidor. Se dele se vale, não leva em conta a sua necessária sustentabilidade, porque lhe aperta o torniquete quando as matérias-primas sobem mas não o afrouxa se ocorre o inverso. Produção, comercialização e consumo são os pilares da economia, e da harmonia entre eles depende também a estabilidade dos negócios. E esta é capaz de evitar crises como a atual ou de melhor administrá-las quando acontecem.
  São sempre a ganância, a especulação predadora e a ousadia sem suporte financeiro que geram as turbulências e as recessões, e todos acabam pagando a conta. Em última instância, esses abalos na economia são resultantes de alguma forma de desconsideração à lei do mercado e aos clientes e consumidores.

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