Petrobras, inflação e credibilidade
O provável aumento da gasolina, que entrará na pauta de discussões em uma reunião marcada para sexta-feira na Petrobras, já foi suficiente para "acalmar" o mercado financeiro. O Ibovespa (principal indicador da bolsa brasileira) subiu ontem e fechou em 3,62% depois de recuar 2,77% na segunda-feira. Os papeis da Petrobras também subiram. As ações preferenciais (as mais negociadas) fecharam em alta de 5,18% e os papeis ordinários (que dão direito a voto) subiram 4,24%.
Um provável aumento da gasolina já vinha sendo ventilado há meses. Não havia sido concedido ainda por causa da escalada da inflação. O mesmo ocorre com a tarifa de energia elétrica que, apesar de ter subido em média 25% neste ano, o percentual só não foi maior devido às eleições. No entanto, o fato é que tanto os custos da gasolina e da energia elétrica incidem diretamente na formação do índice oficial de inflação, além de impactar diretamente na formação de preços de produtos e serviços.
Por isso, esse aumento não é consenso nem mesmo na Petrobras. Além disso, a situação da estatal é complicada. Está descapitalizada e com alto endividamento provocada pela política de preços (que mantém a estabilidade apesar das variações do mercado internacional) e enfrenta um grave escândalo de corrupção, detalhado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. Ações como essas tiram a competitividade da empresa e derrubam a confiança dos investidores. Tanto que as ações estão em um dos menores níveis: R$ 14,20. Em 2008, valiam R$ 41,20.
É preciso restabelecer a credibilidade da Petrobras, estatal que é um dos maiores patrimônios dos brasileiros. Ninguém discorda. No entanto, os consumidores não podem ser mais penalizados devido à má gestão de pessoas infiltradas na administração pública que tinham o objetivo claro de dilapidar o patrimônio em benefício próprio.





