Petrobras e corrupção
As investigações da Operação Lava Jato revelaram um gigantesco escândalo de corrupção dentro da Petrobras, a maior empresa brasileira. Um esquema montado para desviar dinheiro público, arrecadar recursos para campanhas eleitorais e promover enriquecimento ilícito de agentes públicos e privados. Essas revelações atingiram não só a credibilidade da estatal, mas causaram prejuízos financeiros ao caixa da empresa minando sua capacidade de investimento e danos aos investidores.
Desde janeiro o valor das ações preferenciais ou ordinárias caiu 34% - o preço negociado a menos da metade do seu valor patrimonial em 2013. O índice é significativo e, por enquanto, analistas ouvidos pela reportagem da FOLHA estão divididos quanto à variação da cotação dos papeis. Enquanto uns acreditam que a queda estancou, outros avaliam que pode cair mais. No entanto, sem balanço auditado, a Petrobras não tem acesso a crédito (porque o risco de se emprestar dinheiro à estatal é desconhecido). Por enquanto o que se sabe é que ao final de junho o endividamento da empresa somava US$ 170 bilhões. Em outubro, a agência Moodys rebaixou a nota de risco da estatal.
Outro ponto importante é o valor de mercado (soma de todas as ações), que caiu de R$ 214,7 bilhões para R$ 125,3 bilhões apenas neste ano. Importante acrescentar que a estatal já chegou a valer R$ 510,4 bilhões em maio de 2008, período de bonança dos mercados e da estatal de petróleo.
Ontem, a presidente Dilma Rousseff (PT) garantiu à imprensa que a atual presidente Graça Foster permanecerá no cargo e que também não irá trocar a diretoria da estatal por falta de indícios de irregularidades. Se o atual quadro de gestores não será alterado, seria desejável que a presidente Dilma ao menos explicasse como será o combate a corrupção durante seu governo. Em sua diplomação, chegou a propor um "pacto nacional contra a corrupção" e disse que iria renovar a estatal. São apenas medidas genéricas, sem detalhes ou ações já programadas e que nada contribuem para mudar esse cenário.





