Pessoas novas, anos novos!
Buscar soluções exóticas e extraordinárias, geralmente fora de nós, parece ser uma tendência geral, principalmente na cultura brasileira. Na virada de cada ano, ao abrigo do justo anseio de renovação de ânimo e até da legítima esperança de algo melhor, ali estamos nós apontando como combustível de tudo isso, o crescimento da economia, a renovação da política ou fatores variáveis externos, incluindo-se aqui o humor do presidente da maior potência mundial! Ano após ano, num ciclo invariavelmente mórbido e frustrante, condicionamos a felicidade geral da nação e a nosso particular, a coisas e acontecimentos que nos transcendem e que de forma quase mágica nos poderiam ajudar.
Somos pobres em pensar assim. O tempo fragmentado em festas e ritos, poderá ajudar psicologicamente em revisões sadias de vida e na elaboração de projetos para o futuro próximo. Mas só isso. Per si, não significa mais nada! Independentemente da religião a que pertençamos ou das crenças que nos movem, o trabalho de casa, de cada um e de um povo enquanto tal, é imprescindível para alcançar o que almejamos a cada novo ano que chega, com ar de ano novo! O será apenas, se também nós formos novos, no sentido de renovados interiormente e dedicados com afinco, à feliz causa que perseguimos legitimamente, para nós e para todos!
Embora seja um bordão comum, sempre é bom lembrar que o tempo em forma de anos ou meses, terá a cara que nós lhe dermos! Existem novos anos que já nascem velhos! Pela mesmíssima razão de que quem os vai viver, está tremendamente envelhecido e sem nenhum rejuvenescimento. Pessoas novas em conceitos, propósitos e ações, fazem novos anos, extraordinários anos novos!
Por outro lado, a nostalgia de que já existiram anos melhores, contém em si mesma, incongruências e manifestações de fuga da realidade que impedem de encarar o futuro com o otimismo inerente e com a determinação exigida. O passado é o suporte do que somos e o chão que nos dá equilíbrio; mas com certeza, não foi melhor do que o futuro que se apresenta como possibilidade! Na cadeia evolutiva da civilização, temos a capacidade e a responsabilidade, para tornar 2018 bem melhor do que os anos anteriores! Aprendizados (com erros e acertos) são matéria prima para se construir algo melhor. Está aqui o gene, que move bilhões de seres humanos no mundo inteiro a realizarem celebrações estrondosas no dia 31 de dezembro, vestidos de branco e com muitos fogos de artifício! Como se em uníssono dissessem: que venha uma nova oportunidade! Que nos deixem fazer diferente e melhor!
A apresentação do tema paz no primeiro dia do ano, é significativa. Ao buscarmos um país e um mundo pacíficos, mais uma vez nos é apresentado o conceito construção, que abomina qualquer tipo de passividade e alienação. A paz que buscamos desesperadamente é fruto da justiça social e de muito trabalho em prol do bem comum. Não é o silêncio das armas nem o equilíbrio frágil sobre as fagulhas da injustiça, sempre prontas a incêndios devoradores. A sociedade é violenta porque somos violentos e as instituições que não funcionam, geram violência. Ao sonharmos legitimamente com um Brasil de paz, não nos referimos somente a uma diminuição drástica de mortes violentas, seja no trânsito ou em outros crimes. A pacificação do país, dando-lhe um novo ano em 2018, passa pela edificação consolidada de relações humanas e a diminuição de fossos entre pessoas e grupos. O que é bom para uns terá que sê-lo para a maioria e isso sim, é pintar com cores vivas e renovadas o ano que chega. Vem de dentro, portanto, a força que nos move! Pessoas novas fazem anos novos! Instituições justas e renovadas dão uma cara nova a um Brasil que parece velho!
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre na Arquidiocese de Londrina
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