Pesquisas, opiniões e ambiguidades
Como pode um governo que acumula indicadores negativos ter sua avaliação melhorada entre a população? Pesquisa feita pelo Ibope divulgada nesta semana aponta que a avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) oscilou dois pontos percentuais para cima: chegou a 34% contra 32% apurado na medição anterior (realizada na primeira semana deste mês). A taxa se refere aos eleitores que consideram o governo ótimo ou bom. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-0048/2014.
Importante lembrar que nessas últimas semanas não houve qualquer fato positivo que justificasse essa melhora ainda que pequena e dentro da margem de erro do levantamento. As maiores taxas de aprovação ao governo estão na Região Nordeste (46%) e as menores, no Sudeste (26%).
Outra informação relevante é a nota que os brasileiros atribuem à administração de Dilma no comando do governo federal. A média apurada foi de 5,6. No entanto, 12% dão nota zero e 10% optam pela nota 10. Entre os menos escolarizados, que estudaram até a quarta série do Ensino Fundamental, 23% avaliam o governo petista com a nota máxima. Mais uma vez a melhor nota média (6,5) é atingida no Nordeste.
Importante destacar que a economia não vai bem. A inflação oficial está bem próxima do teto da meta (de 6,5% ao ano, estipulada pelo Banco Central), o que indica que o custo de vida dos brasileiros está subindo; a produção industrial está em queda, assim como as vendas do varejo. Ainda que a taxa de desemprego não esteja em níveis alarmantes, vale destacar que também não há geração de novos postos de trabalho há meses. A economia dá sinais de deterioração, inclusive já entrou em "recessão técnica", depois de dois trimestres consecutivos de queda no Produto Interno Bruto.
Outra questão que deve ser destacada é a corrupção, instalada em praticamente toda a administração. Escândalos na Petrobras e o megaesquema de lavagem de dinheiro, comandado pelo doleiro londrinense Alberto Youssef dão a dimensão do quadro.
A pouco mais de um mês das eleições e com a economia em deterioração, é lamentável que nenhum plano de medidas mais efetivo tenha sido anunciado. Resta saber se eleitores vão ratificar o atual governo e enfrentar mais quatro anos de más notícias na economia e na administração pública.





