As pesquisas de opinião pública são muito mais importantes no processo eleitoral do que se pensa. Elas não servem apenas para medir a popularidade ou rejeição de determinado candidato, ou avaliar as chances de cada um. Com a profissionalização das campanhas eleitorais, cada candidato passou a ser assessorado por mestres da análise e interpretação de pesquisas, que também ganharam cada vez mais espaço nos comitês.
Hoje não se faz uma campanha de peso sem que se saiba, graças aos institutos de pesquisa, o que o eleitor espera de cada candidato, o que o eleitor rejeita nos políticos, o que o eleitor quer ver e ouvir na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Nada, portanto, é por acaso. Se um determinado programa eleitoral surge apostando no combate à violência e ao desemprego, é porque o comitê de campanha desse candidato obteve a informação, por meio das chamadas pesquisas qualitativas, de que a população está preocupada e querendo mudanças nesses dois setores.
Foi graças ao cruzamento e análise dessas pesquisas qualitativas que o jornal ‘‘Correio Braziliense’’ pôde afirmar, há duas semanas, que o presidente Fernando Henrique Cardoso seria reeleito. Isso porque a grande maioria dos entrevistados pelo Instituto Vox Populi declarava, a poucas semanas da eleição, que Fernando Henrique era o candidato com maior capacidade para administrar o País e assegurar a continuidade do Plano Real e a manutenção da inflação nos níveis atuais.
Nas pesquisas quantitativas, mede-se fundamentalmente o percentual de votos dado a cada candidato. Nas qualitativas, avalia-se o resto, e seu cruzamento permite tirar conclusões preciosas, não só para os candidatos mas para quem quer ter uma visão mais completa e transparente de como se prepara e se faz uma campanha eleitoral.
Mas são as quantitativas que mais aparecem e importam para o eleitor comum. São essas as pesquisas divulgadas no decorrer de uma campanha eleitoral. Da mesma forma que as qualitativas influenciam a estratégia de marketing e propaganda no processo eleitoral, as quantitativas exercem grande influência sobre o eleitor.
São elas que mostram ao eleitor comum, cujo voto não é nem de longe ideológico á- mas pragmático - quais são os candidatos favoritos, quais os derrotados de véspera, sem nenhuma chance. Em geral, o eleitor não ideológico detesta desperdiçar seu voto, quer que ele tenha alguma função: seja para somar seja para atrapalhar.
Nesse sentido, a divulgação de pesquisas completamente equivocadas - como as que se registraram em vários estados às vésperas da eleição, inclusive aqui em Brasília - passa a ser preocupante e coloca em xeque a sua integridade.
A dúvida é inevitável: erro ou manipulação? Pode não ser mera coincidência o fato de que, em pelo menos sete estados - Maranhão, Amazonas, Pará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo - as pesquisas erraram (muito!) contra os candidatos da oposição, especialmente do PT.
- KIDO GUERRA é jornalista em Brasília

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