Pesquisas do estilo Mandrake (Luiz Geraldo Mazza)
Você acredita que se o Requião fosse candidato a presidente da República teria apenas 6% dos votos no Paraná contra 39% de Fernando Henrique? Mesmo que a sigla de um instituto não regional assine a sondagem (o Vox Populi) não dá para engolir.
E se você, neste momento, tivesse às mãos uma pesquisa sobre eleições na Capital com Lerner apresentando 51%, Álvaro Dias, 25% e Requião, 12%, a aceitaria? Obviamente Requião, como candidato presidencial, faria pelo menos quatro vezes o que foi indicado na Veja (a mesma revista que num número acabou escrachando o governo estadual e, edições depois, o exaltou) e ninguém ousaria admitir que Álvaro o suplantasse na Capital e que chegasse a superar um máximo de 15%, mesmo que tivesse colocado telefone em todas as casas.
Quando a pesquisa apareceu na Assembléia Legislativa, desde logo uma suspeita: a de que não tem boa origem. Assim como a água deve originar-se de fonte limpa, também o mesmo se dá com as pesquisas. Caso contrário precisam, como na água contaminada, de tratamento, muito cloro, mesmo que cheire mal.
A primeira pesquisa é assumida por um instituto. Pode-se duvidar dela, questionar sua metodologia e seus resultados, mas existe. A outra, segredada de ouvido a ouvido, revela um só objetivo: o de encher a bola de Álvaro e esvaziar drasticamente a de Requião para uma valorização artificiosa do tucano, que a essas alturas deve estar sendo olhado como perturbador dos interesses de FHC no Paraná, por insistir em sua candidatura. E é claro que colocando Requião lá no abismo, sugere-se que esse é o caminho da oposição.
O peso de Curitiba e Região Metropolitana é quase decisório numa eleição. Álvaro tem notórias dificuldades de penetrar nesse espaço. Se contasse com um quarto das intenções de voto em Curitiba, poderia aproximar-se bastante de Lerner com o interior, especialmente das cidades pequenas.
Cada vez que esse tipo de pesquisa pinta no pedaço dá para lembrar da Aurora, aquela que dava Fruet na frente de Lerner às vésperas de um massacre, e uma que o PDS aprontou em 1982 colocando Saul Raiz na frente de Richa. Prestidigitação é uma das armas de que se usa quando não há mais o menor e mais remoto sinal de esperança. Divirtam-se, pois, os que gostam de mentir e fiquem em pânico os enganados. Especialmente os palacianos.
BIZARRICE O deputado Caíto Quintana, um dos mosqueteiros do PMDB na defesa da candidatura de Requião, apareceu ontem na Assembléia não apenas com um carro novo, uma Mercedes, mas também com uma tese nova: o melhor caminho para a oposição seria Álvaro Dias.
REPETECO Governo gosta de replay dos elogios, especialmente. Tanto que a revista Direção republicou, e com os mesmos cromos, os feitos oficiais que já haviam saído em publicação especial e também luxuosa. Pois o semanário Impacto, que ao contrário do Joãozinho Trinta não gosta de luxo, vai, na edição desta semana, lançar uma seção nova na base do vale a pena ler de novo, com os registros pesados daGazeta do Paraná e o estágio atual das suas relações com o governo.
SPRAY Quase diariamente o serventuário da Justiça Júlio Jacob, que foi titular de cartório hoje ocupado pela filha e que exerceu mandatos de deputado estadual e de prefeito de Jaguapitã, briga com peemedebistas na Boca Maldita e em voz alta, bronqueado com a tal certidão usada contra Rafael Greca.- Promete cobrar diretamente do senador, de quem sempre foi amigo, a circunstância de criarem dificuldades para a sua filha, valendo-se das amizades e das relações políticas para lavrarem aquele documento em cartório.- Domingo passado passou um sabão no deputado Romanelli em cima do mesmo assunto, e chegou a fazer cobrança de um policial que teve participação na declaração em cartório que afeta a imagem de Greca.- Se der ao caso as dimensões das suas disputas dentro do Clube Curitibano, das quais muitas acabaram no Judiciário, vai aquecer o ambiente.- Não há como fugir da reforma previdenciária: atuarialmente o sistema quebrou. Oposição faz um jogo de risco, desinformando a questão dos direitos adquiridos que serão respeitados, embora no Brasil não soe estranho haver num texto legal a afirmação de que vai ser cumprido.- Num ponto os oposicionistas têm razão: a má gestão do sistema e a falta de zelo com o patrimônio. Numa das áreas mais invadidas de Curitiba, região norte, Cabral-Boa Vista, os terrenos pertencem ao INPS que não toma posição ofensiva. Há ainda a questão dos alugueres baixos de prédios e daqueles abandonados.- Numa dessas áreas do INPS os supostos posseiros, a pretexto de montar um lava-rápido, estavam construindo um pombal, provavelmente uma espécie de motel dos pobres. Prefeitura, felizmente, embargou. Hoje servidores do INPS lá estão para impedir a retomada das obras.-
FOLCLORE Consta que Clinton foi até o Pinóchio e ouviu dele a revelação que a cada mentira seu nariz aumentava. O presidente replicou que com ele se dava o inverso: a cada aumentada, uma mentira. Essa é mais velha do que a compulsão clintoniana.
CROMO O pinheiro apinhado de pinhas, redundância verde-escura inteiramente devida a um fator anti-poético, El Ni¤o: choverá pinhões nos jardins.
AFORÍSTICO A obediência não é mais virtude nem no plano da religião. Para muitos, no entanto, é uma regra do cotidiano dos nossos meios de comunicação.





