Pesquisas, à margem de muitos erros
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sábado, 09 de outubro de 2010
Edinelson Alves 
Quando foram abertas as 477 mil urnas da maior eleição já realizada no Brasil, de Norte a Sul ecoou a seguinte frase: ''Os institutos de pesquisas foram os grandes derrotados desta eleição''. Políticos e eleitores de todas as vertentes foram tomados pela frustração, irritação e desconfiança. A histórica frase do saudoso Ulisses Guimarães cai como uma luva nesse momento: ''A margem de erro da pesquisa é a margem de lucro (dos institutos)''.
Infelizmente erros e trapalhadas acompanham a história das pesquisas. Na primeira, realizada em 1932, o jornal norte-americano Literary Digest enviou pelo correio 20 milhões de cédulas. Recebeu três milhões de respostas e acabou acertando que Franklin Roosevelt seria o futuro presidente. Mas em 1948 o Chicago Daily Tribune estampou a vitória de Thomas Dewey. As urnas mostraram o contrário e o vencedor Harry Truman fez questão de tirar uma foto com a manchete do jornal para ridicularizar a pesquisa.
No Brasil, em 1945, o recém-criado Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa (Ibope) previa, em São Paulo, a vitória do candidato Eduardo Gomes. Por quase 20% de vantagem acabou vencendo o candidato da situação da base getulista, o general Eurico Gaspar Dutra. Naquele tempo ainda fazia parte da metodologia a divisão do eleitorado pelo ''grau de cultura'' tomando como base o nível educacional. Nesses mais de 60 anos os institutos de pesquisa modernizaram radicalmente os seus métodos de aferição, adotaram equipamentos de última geração, mas os grandes erros ainda se repetem em abundância, insuflando números de alguns candidatos e reduzindo as chances eleitorais de outros.
Coincidentemente no primeiro turno parece ter ocorrido uma ''combinação de erros'' absurdos com resultados surpreendentes e injustificáveis protagonizados pelos grandes institutos. Por mais que os especialistas divirjam sobre metodologia aplicada, o fato é que na pesquisa de campo se revela toda fragilidade do levantamento. Um experiente analista afirma que, além de confiar na boa fé do pesquisador, o trabalho terceirizado nos Estados agrava ainda mais o risco de fraude.
No Paraná, pesquisa divulgada na véspera da eleição anunciava o empate de 45% entre Beto Richa e Osmar Dias. Horas depois as urnas mostraram um resultado bem diferente. Essa pesquisa, barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral, só foi publicada porque o Ibope recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral alegando ''prejuízo irreparável à liberdade de imprensa''. Para impedir a divulgação, foi denunciado que faltavam plano amostral e percentual de ponderação em relação a sexo, idade, faixas de renda e ainda níveis de instrução. Mesmo assim o TSE decidiu liberar a referida pesquisa que funcionou como espécie de boca de urna. Ao contrário do prejuízo à liberdade de imprensa alegado pelo Ibope, quem saiu prejudicado foi o eleitor paranaense que não foi informado, mas desinformado pelo rigor do empate que não se confirmou nas urnas.
Ainda no calor do resultado do primeiro turno, o plenário do Congresso em Brasília se transformou nesta semana num muro de lamentação contra os institutos de pesquisas. Um parlamentar sugeriu que, a exemplo dos juízes de futebol que são punidos por erros bisonhos, os institutos também devem ser responsabilizados pelos estragos provocados ao processo eleitoral. Um outro deputado radicalizou: defendeu a proibição de pesquisas eleitorais, entendendo que elas só podem ser usadas para orientação interna das campanhas.
Num País que se orgulha de ter o mais avançado processo de votação do mundo, com urnas eletrônicas e agora biométricas, a variação das previsões das pesquisas não pode continuar se comportando como biruta de aeroporto provocando insegurança, suspeita e desinformação a todo processo eleitoral.
EDINELSON ALVES é jornalista em Rolândia


