Pesquisador diz que maltratar presos fortalece organizações criminosas
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
Redação FolhaWeb 
Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Unicamp, o pesquisador da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Guaracy Mingardi, se debruça há mais de três décadas sobre temas ligados à segurança pública, assunto no qual é respeitado como um dos maiores especialistas do país. Além da dedicação às letras tem dois livros publicados "Tiras, Gansos e Trutas" e "Estado e o Crime Organizado", Mingardi viveu a dura missão de ser policial em uma metrópole violenta como São Paulo.
Sentiu na pele os riscos de ser investigador numa região que abriga Paraisópolis, uma das maiores favelas da capital paulista. Também tem no currículo a experiência de estar no comando de uma corporação, quando foi Secretário de Segurança de Guarulhos e comandou a Guarda Municipal da segunda maior cidade paulista. Foi ainda diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Por telefone desde Brasília, entre um compromisso e outro da sua atual ocupação assessor da Comissão Nacional da Verdade, Mingardi falou à FOLHA sobre a relação do poder das facções criminosas com as deficiências do sistema prisional brasileiro e aconselhou os governos estaduais a continuarem consagrando a lei como a melhor forma de combate à violência orquestrada, que assusta principalmente a população de São Paulo e de Santa Catarina.
Por que ocorrem ondas de ataques do crime organizado em alguns Estados e em outros não?
O que pesa neste caso é que tipo de organização criminosa tem no Estado. O modelo do PCC (Primeiro Comando da Capital), por exemplo, é o que foi inaugurado pelo Comando Vermelho no Brasil. Uma organização criminosa que nasce na cadeia, em sistemas penitenciários mais complexos. É uma associação de presos que vivem em uma cadeia dura, muito ruim. A primeira ação deles é dominar o ambiente carcerário para reivindicações do dia a dia. Depois esta associação se torna uma autoridade máxima na cadeia. Isso aconteceu com o PCC, que acabou com todos os pequenos grupos que agiam nas cadeias de São Paulo e se tornou um grupo homogêneo no sistema. Os integrantes de grupos como o PCC conseguem ter não só muito poder dentro da cadeia como eles conseguem transferir este poder para fora, seja no tráfico do crack ou planejando grandes roubos. O criminoso adere a organização do lado de fora porque ele sabe que mais cedo ou mais tarde ele vai ser preso e vai precisar de proteção. Portanto, se você quebra o poder da organização dentro da cadeia você quebra o poder do grupo fora. No Rio de Janeiro, a título de comparação, são três organizações criminosas, mais as milícias. O poder está dividido tanto no ambiente interno e externo. Então é uma realidade diferente. O PCC, com a unidade dentro e fora da cadeia, fez grandes demonstrações de força por duas vezes na década passada e, de novo, no ano passado. É um modelo muito específico.
Leia mais na entrevista completa de Lúcio Flávio Moura com o pesquisador Guaracy Mingardi em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA


