Pesquisa sobre judiciário é desalento
''70% dos brasileiros duvidam da honestidade do Judiciário'', diz a manchete da Agência Estado, nos jornais de sexta-feira. A pesquisa não vem dessas agências que fazem sondagem eleitoral cuja metodologia dá ensejo a suspeita quanto à sua eficácia. E cuja confiabilidade também é discutível. Não. A pesquisa que atesta tão alto grau de desconfiança (70%, chegando a 79,2% no Nordeste) é da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), instituição da maior credibilidade e referência no Brasil e no mundo acadêmico de outros países.
É triste saber que a sociedade não acredita totalmente na Justiça. É triste e perigoso. Num país cujos políticos estão cada vez mais perversos; em que o Estado autoritário, pilotado por políticos populistas, ameaça atropelar direitos básicos de cidadãos conscientes; justamente em países assim é que a Justiça teria que ser a referência, a esperança. E os cidadãos já perderam a confiança na autoridade. Pelo menos é o que aponta a pesquisa, principal parâmetro aferidor do índice de confiança, o ICJBrasil. Dá para contestar. Se o Judiciário contestar será um alívio para os brasileiros.
O povo poderia até perder a confiança. Mas a esperança jamais. Não vale dizer que o povo julgou pela morosidade e Justiça tarda não faz justiça. Isto já aconteceu um dia e o atraso era, digamos, aceito mas não defensável. Lentidão e ineficácia continuam, a julgar pela pesquisa. Mas o que assusta é o fator honestidade.
Um ponto determinante: A FGV aproveitou a pesquisa para ouvir a população sobre a decisão do STF no julgamento do ex-ministro Antonio Palocci. Em agosto de 2009 o STF rejeitou a denúncia sobre a quebra de sigilo contra ele. Autoritariamente, em atitude revanchista, Palocci mandou a Caixa Econômica abrir a conta do jardineiro Francenildo. Para quase 40% dos entrevistados, a corte suprema não agiu de forma neutra, apesar das evidências. Mais 23% não souberam opinar sobre assunto.
Fatos como a rejeição da denúncia que beneficiou um homem do governo e do partido que está no poder, podem ter contribuído para tão alto índice de dúvidas sobre a honestidade do poder judiciário. De qualquer forma, a pesquisa é um desalento. A população tem que acreditar na Justiça, é a ela que as pessoas devem recorrer sempre.





