Pesquisa analisa carta de Caminha ao rei Manuel
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo A carta de Pero Vaz de Caminha, dirigida ao rei D. Manuel em maio de 1500 foi, pela primeira vez, objeto de uma análise ortográfica. As conclusões, segundo matéria publicada no ''Jornal da Unicamp'', estão reunidas na dissertação de mestrado da pesquisadora Nazarete de Souza, orientada pelo professor Luiz Carlos Cagliari, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (IEL).
O estudo começou na época da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil e é definido pela pesquisadora como ''uma pequena contribuição para um projeto maior sobre a História da Língua Portuguesa''. A narrativa de Caminha a D. Manuel sobre suas primeiras impressões sobre o Brasil, até então Ilha de Vera Cruz, já havia sido analisada pelos aspectos filológicos, semânticos e fonológicos, mas ortograficamente, foi um desafio inédito, ressalta o periódico da Unicamp. ''A pesquisa apresenta uma análise importante para a construção da história da ortografia da língua portuguesa, jamais tratada em estudos da carta.
O texto descritivo de Caminha apresenta construções curiosas que, à primeira vista, causam estranheza se colocadas à luz das versões revisadas de acordo com as atuais normas gramaticais. Chamam a atenção no texto de Caminha, por exemplo, a duplicação de consoantes, a separação de termos como ''tam bem'', ''por tamto'', bem como a união de vocábulos como ''queo'', em vez de que o e ''ocapitam'', no lugar de o capitão. De acordo com a pesquisadora, ''se hoje revisores e editores podem discutir o uso de maiúsculas e minúsculas graças à padronização de estilo e à normatização da gramática, Pero Vaz de Caminha não tinha a preocupação de iniciar parágrafos com letras maiúsculas e de escrever toda a palavra na mesma linha.''


