Peso e contrapeso
Ampla, total e irrestrita responsabilidade sobre o governo. É o que passa a ter o governador Jaime Lerner após a reforma do secretariado, que atingiu menos os ocupantes do primeiro escalão e mais o modus operandis então em prática.
Ao adotar as quatro coordenadorias, Lerner fica com um canal definido para dialogar com seus colaboradores que não podem mais se queixar da falta de orientações políticas, desde que assumam as responsabilidades de administrar o Estado. Seguir as orientações do Palácio Iguaçu, que passa a ter a batuta na mão, é a ordem a ser cumprida. Desafinações ficam sem espaço e tentativas de monopolizar a partitura deixam de existir.
A linha direta governador-coordenadores-secretários estabelece a quebra de algemas políticas e administrativas que por muito tempo empanaram o brilho de ações governamentais e potencializaram os aspectos negativos. Retomando para si a condução do processo de governar, Jaime Lerner volta a sonhar com o Projeto República.
À parte os comentários sobre quem embarcou no primeiro escalão ou pegou o boné, o remanejamento precisa de um leitura mais profunda. Prevaleceu a estratégia, e não as degolas e pirotecnias que acabam se transformando em efêmeros factóides.
A posição oferecida ao deputado federal Rafael Greca passa a ser emblemática dentro da reforma do último dia 10. Como pré-candidato declarado à sucessão estadual, antes de se viabilizar para a convenção partidária, o ex-prefeito de Curitiba e ex-ministro precisa suar a camisa e por em prática sua eficiente retórica para recuperar a imagem do governo que integra. Na eventualidade do primeiro demissionário e reconduzido à chefia da Casa Civil, Alceni Guerra também quer as bênções pefelistas para disputar o Palácio Iguaçu e precisará de todas suas habilidades na condução política do governo. A regra geral passa a ser a ação de peso e contrapeso como recomendam os manuais de física.
De boas intenções e estratégias a política está cheia. Evidente que nem tudo está resolvido para o PFL paranaense. O papel da Secretaria de Integração Regional é de fundamental importância para eliminar o fosso criado com o interior, que acabou por resultar no comando das principais cidades por partidos de oposição. Definir as ações da nova pasta é prioridade. O governo precisa estabelecer canais de comunicação com o enorme Paraná que existe além do Parque Barigui. Paraná beneficiado por ações de governo não capitalizadas. E sem esquecer que o caso de amor com a capital necessita de revigorantes.
Passado o efeito Vanhoni, que certamente deixará marca no relacionamento com o Palácio 29 de Março, o governador Jaime Lerner demonstrou na sua estratégia que pretende consolidar a condição de grande líder político do Paraná. Afinal, sucesso interno é o caminho para projeção externa.
A massa crítica para embalar o projeto está nas ações desenvolvidas que tiraram do Estado a condição de feitor, para ser o grande gestor do desenvolvimento econômico e social. Hoje o Paraná tem uma nova presença na geopolítica e na geoeconomia brasileira. É preciso transformar o realizado em bandeira para uma nova caminhada política. O que só será possível com mudanças estratégicas na forma de governar.
Mudanças e alianças. Sem elas não se faz política. Condenar a aproximação com o PFL de Santa Catarina é mais um sinal de falta de visão estratégica. De uma vez por todas o Paraná deve deixar de cultuar os caminhos do passado que levaram outros paranaenses notáveis a verem naufragados seus sonhos de tentarem conquistar posições partidárias para disputar o Palácio do Planalto.
- GILBERTO LARSEN é jornalista em Curitiba





