PESADELO OLÍMPICO - Quando a cabeça não ajuda
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Pequim, 17 de agosto. Favorito à conquista do ouro, o ginasta Diego Hypólito errou em sua última passada no solo, sofreu a queda e amargou a ausência no tão sonhado e inédito pódio olímpico. Minutos depois, o ginasta brasileiro pediu ''desculpas ao povo brasileiro'' e seu técnico, Renato Araújo, afirmou que ''o mundo de todos caiu''. A falha de Diego reacende a discussão de 2004, quando a também favorita Daiane dos Santos errou na decisão do solo em Atenas: até que ponto o psicológico afeta o desempenho dos atletas?
Especialista em Psicologia do Esporte pelo Instituto Sedes Sapientiae, Valéria Sapienza vê em muitos atletas um fenômeno comum. Para ela, a falta de controle emocional e a total ausência de um preparo preliminar fazem a Psicologia do Esporte só ser lembrada em tempos de Olimpíada e Copa do Mundo.
Numa escala de 1 a 10, podemos dizer que em quanto o psicológico interfere no desempenho de um atleta?
Provavelmente 10. A importância do preparo psicológico somado ao preparo físico é fundamental. De nada adianta estarmos mais que preparados fisicamente se o psicológico estiver em frangalhos e não estiver equilibrado. Não funciona.
Qual o tempo ideal de preparação para uma competição importante como os Jogos Olímpicos?
Não há regra também, mas é um bom tempo. O que os atletas fazem é estipular metas a curto, médio e longo prazo, no último caso, por exemplo, seriam as Olimpíadas, um ciclo de quatro anos. Todos os campeonatos e competições que surgem são um bom trunfo para treinar e competir.
O que pensar na hora da disputa para não ''amarelar''?
Nessas horas é fundamental pensar no quanto se preparou e no quanto está preparado para aquele momento, mas não pensar que a disputa já está ganha. Uma coisa tem de ser vivenciada de cada vez.
E se o atleta fizer tudo isso e errar, como foi o caso do ginasta Diego Hypólito, qual o próximo passo?
Sempre lembrar que a vida é assim, um dia a gente erra, no outro, acerta. O importante é o aprendizado que tiramos da situação. Isso vale tanto para quando acertamos quanto para quando erramos algo. Se analisarmos, a maioria dos atletas e das seleções que vemos em competições precisam correr atrás desse equilíbrio e controle emocional.
Hoje, fala-se muito sobre a liderança efetiva. Como se tornar um líder no universo dos esportes?
Não existe receita para se tornar um líder. Existem algumas características específicas que um líder deve desempenhar, como, por exemplo, saber organizar o grupo, ser comunicativo e informativo, além de ter facilidade em direcionar e orientar o grupo a se desenvolver para alcançar o objetivo.
A liderança não soa como ostensiva, muitas vezes?
A liderança não é algo ostensivo, ou seja, algo para ser mostrado ou exibido em todos os momentos, uma vez que muitos líderes nem percebem que exercem esse papel dentro do grupo e nem imaginam o quanto sua liderança tem uma função tão importante para situações diferentes vividas pelo grupo.
E a pressão é necessária?
A pressão existe constantemente no dia-a-dia dos atletas. No momento da competição, em que o atleta se depara com a pressão, é hora de enfrentá-la, pois com ou sem pressão, o resultado precisa ser satisfatório.


