São Paulo O economista José Roberto Mendonça de Barros faz um alerta: 2003 vai ser um ano difícil. Com a necessidade de derrubar a inflação, avançar no ajuste das contas externas e manter uma política fiscal apertada, o crescimento deve ficar entre zero e 1%, ''na melhor das hipóteses''. Para o ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o País só vai crescer mais se o PT adotar ''políticas inconsistentes''.
Em entrevista à reportagem, Mendonça de Barros ressalta que o primeiro grande desafio do futuro governo será controlar a inflação. Um tradicional inimigo de juros altos, o economista entende que as características do atual processo inflacionário exigem uma taxa Selic mais elevada. Se o combate à inflação for realmente prioritário, Mendonça de Barros acredita que o IPCA, o índice escolhido para o regime de metas inflacionárias, deve ficar em 10%.
O ajuste externo, para ele, é realmente expressivo e está bem encaminhado, mas ainda é preciso aprofundá-lo. Segundo o economista, que prevê um saldo de US$ 16 bilhões em 2003, baseado principalmente no crescimento das exportações, estimado em 8%, ainda é difícil dizer o quanto da melhora das contas externas é transitória e o quanto é permanente.
Na questão fiscal, mais do que aumentar o superávit primário (receitas menos despesas, exceto gastos com pagamento de juros), ele considera fundamental aprovar a reforma da Previdência, que hoje provoca um déficit de 5,5% do PIB. Essa mudança, se for feita, tende a possibilitar uma redução significativa do risco país, abrindo espaço para uma queda mais consistente dos juros. O mercado externo, para ele, só vai reabrir mais amplamente para o Brasil no segundo semestre e desde que a política inflacionária seja consistente e haja avanços nas reformas.
Mendonça de Barros se diz cauteloso quanto ao futuro governo. Para ele, o fato de o partido ter percebido que a política macroeconômica tem que ser austera é bastante positivo, mas adverte que o PT vai passar por um duro teste quando ficar claro que algumas demandas não serão atendidas, quando será necessário dizer para aliados ''não de manhã, não à tarde e não à noite''. ''O poder ensina, as pessoas mudam, mas o custo do aprendizado, como mostra a história, não é trivial.''

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