Curitiba Os piercings e tatuagens se tornaram uma febre nacional, especialmente entre adolescentes. Num período de enormes transformações no corpo, eles buscam algo definitivo, como uma tatuagem, que possa mostrar ao mundo seus ideais e personalidade.
O psicoterapeuta e médico do stress, Cezar Morris, diz que a melhor forma dos pais lidarem com esta situação é se colocar no lugar do adolescente, voltar no tempo e lembrar de suas próprias atitudes na adolescência. O diálogo deve ser mais aberto do que autoritário. ''Muitas vezes, o adolescente faz tatuagem para ser notado e consegue dos pais o olhar crítico. O ideal é que os pais cultivem o olhar de interesse para o filho sempre.''
Em Curitiba, uma lei aprovada no final do mês passado, e que ainda está sendo analisada pela equipe técnica da prefeitura, exigirá autorização dos pais para que os menores de idade façam os piercings e tatuagens. Em muitos estúdios, os tatuadores já exigem uma autorização assinada pelos pais ou até a presença deles durante a tatuagem ou colocação do piercing. Rogério Gargula's conta que o cuidado em ter o consentimento dos pais já é praxe.
Débora de Mattos, 15 anos, colocou piercing no umbigo há um ano, com a presença da mãe. ''Agora estou tentando convencer minha mãe a me deixar colocar um piercing na língua, mas está difícil'', conta. Ela também espera ansiosamente completar 18 anos para fazer uma tatuagem.
Fábio Milis, com apenas 19 anos, tem 11 tatuagens espalhadas pelo corpo. Se arrependeu apenas da primeira, feita aos 13 anos, onde registrou para sempre na perna direita um de seus personagens favoritos do cartoon, o Perninha, sobrinho do Pernalonga. Há dois anos se tornou tatuador em União da Vitória. ''Quando aparece alguém muito jovem, além de pedir a autorização dos pais, tento conversar, ajudar a escolher um desenho que ele não se arrependa daqui a cinco anos como eu. Mas geralmente eles fazem o que querem e não aceitam opinião'', diz.
Caroline de Almeida Marinho, 18 anos, fez uma tatuagem no início do ano passado, mas sua mãe só descobriu seis meses depois. ''Minha mãe tinha me prometido que deixava, quando eu fizesse 18 anos, mas não consegui esperar'', conta.
A mãe de Caroline, Isabel Marinho, 39 anos, diz que temia os riscos para a saúde, que ela se arrependesse com o tempo e também da discriminação que ela poderia sofrer para conseguir um emprego no futuro. Depois de se convencer que Caroline iria mesmo fazer a tatuagem, resolveu ajudá-la a escolher um desenho.
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