Nosso personagem é o chefe da Casa Civil do Governo do Estado, ALCENI GUERRA, responsável pela pasta política, num semestre que promete ser movimentado. A seguir, trechos da entrevista:
PW - Neste segundo semestre a política vai pegar fogo. Qual é a sua expectativa?
AG - Um semestre muito difícil politicamente e bom administrativamente. O governador Jaime Lerner está conseguindo resolver os principais problemas que o Estado tinha. O Paraná começa a colher os frutos da revolução que o governador implementou: aumentos recordes de arrecadação, de produção industrial, aumento na exportação, no número de empregos, infraestrutura pronta com energia abundante, água, estradas, faltando apenas resolver o problema das pequenas estradas estaduais.
PW - É um volume apreciável...
AG - Como se não bastasse isso, ainda temos o porto adequado, saúde e educação resolvidas, enfim, uma obra extraordinária.
PW - Mas apesar de tudo isso as dificuldades políticas continuam...
AG - De fato. Por um desses logros da história o governo vai enfrentar seu período político mais difícil, em que é obrigado a tomar medidas impopulares como a venda da Copel...
PW - O governo, assim como a Prefeitura de Londrina em relação à Sercomtel, afirma que a Copel não tem condições de competir com a iniciativa privada com a quebra do monopólio...
AG - Essa é uma das razões. A outra é esta: Lerner recebeu do governo Requião, uma situação seríssima que precisa ser resolvida - a situação da previdência do Estado do Paraná. Se não privatizarmos a Copel, se o Fundo de Previdência que este governo criou e está sendo copiado em outros estados, não for capitalizado, em 30 anos o Paraná terá gasto 40 bilhões de reais de seu Tesouro só com as aposentadorias, prejudicando a educação, suas estradas, a segurança. Entre ser impopular agora, tomando medida dura, mas que garante o futuro da nossa gente, o governador assume o sacrifício para ter a consciência tranquila. Está resolvendo um problema que não criou. A venda da Copel é absolutamente necessária e o senador Requião sabe disso!
PW - O senhor pode explicar isso mais claramente?
AG - O problema dos últimos anos no Paraná chama-se Previdência. Foi criado pelo governador Requião, segundo ele para cumprir uma exigência constitucional. Só que há maneiras de cumprir a Constituição. Ele trouxe de volta para a categoria de ‘‘estatutários’’, isto é, dependentes do IPE, 55 mil funcionários que tinham optado por serem ‘‘celetistas’’. Recolheram contribuição durante mais de 20 anos para o INSS. Voltaram praticamente para se aposentar pelo Instituto de Previdência do Estado, sem uma negociação bem feita por parte do governo do Estado que garantisse um ressarcimento das importâncias pagas ao INSS. O prejuízo foi de todos os funcionários com a falência de uma Instituição que até ali era exemplar. Observe isso. O governador Jaime Lerner que, a exemplo do primeiro governo de Ney Braga nos anos 60, mudou o perfil econômico do Estado, paga por um problema que não criou e para resolvê-lo enfrenta grande impopularidade mas, a história fará justiça a ele.
PW - Na sua visão, como será o ano de 2002?
AG - Acho que vamos ter quatro forças hegemônicas no Paraná. O PMDB do senador Requião, o grupo dos irmãos Dias se estiverem juntos, o PT e o grupo do governador Jaime Lerner, se Deus quiser completamente recuperado de uma queda de popularidade que teve por conta de ações absolutamente necessárias. Acho que desses, dois vão para o 2º turno, um garantidamente, o grupo do governador. Aí a disputa é pela qualidade pessoal dos candidatos. No 1º turno prevalece a estrutura política. No 2º, por ser um tempo menor, é uma disputa televisiva - a qualidade pessoal é que conta pontos. Acho que temos amplas condições de continuar o enorme progresso que o Paraná vive hoje, apesar de todas as dificuldades nacionais.

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