Apesar da recusa de socorrer a agricultura, manifestada dias atrás pelo ministro da Fazenda, os produtores rurais não devem recuar e persistir na luta, e é o que farão por via da marcha a Brasília, programada para ter desfecho nos próximos dias 28, 29 e 30. Esse movimento, liderado pelo Paraná e que teve início em Londrina no mês passado, chegará agora ao gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também aos presidentes da Câmara Federal e do Senado, Severino Cavalcanti e Renan Calheiros. Essa ''marcha da produção'' é uma manifestação dos ruralistas contra a desatenção do Governo para o setor, que passa por séria crise financeira devido à quebra da última safra. Se não houver socorro, as próximas colheitas também ficarão prejudicadas, pela insuficiência de capital. A agricultura tem tempo de plantio e de colheita e por isso uma atividade diferenciada, mas não apenas por isto mas porque é estratégica, de interesse da segurança alimentar e, por extensão, da segurança nacional. Os problemas são muitos, como os baixos preços de comercialização dos produtos, quem nem cobrem o custo de produção, endividamento em face dos financiamentos contraídos, escassez de crédito, ausência de seguro rural dos produtores afetados pela seca, deficiência de logística e de infra-estrutura de armazenamento, e falta de instrumentos que possibilitem o alongamento das dívidas com a compra de defensivos, fertilizantes e outros insumos. As propostas dos produtores são diversas, destacando-se 1) ampliação da resolução Codefat 436 para amparar os produtos com problemas de comercialização, 2) utilização dos recursos dos fundos institucionais para financiar emergencialmente títulos de comercialização, 3) readequação dos contratos de crédito já pactuados. A estas se segue mais meia dúzia de importantes reivindicações, que serão apresentadas àquelas três autoridades. Acredita-se que essa marcha levará à capital da República 15 mil produtores rurais, que movimentarão 2 mil tratores e outras grandes máquinas, e 1 mil caminhões. O objetivo é sensibilizar a Nação e alertar os governantes, no momento preocupados com questões vinculadas aos escândalos recentes de corrupção e que balançam os alicerces da governabilidade. Mas a questão brasileira não é apenas a solução desses problemas intestinos do círculo governamental, como os que envolvem, no momento, questiúnculas na relação dos poderes, mas principalmente a produção, que é o grande sustentáculo da economia. E quando se trata de produção de alimentos, cuja fonte principal é a terra e o que demais emana dela, as atenções devem ser redobradas, porque se o campo se enfraquece, os núcleos urbanos verão ameaçada a sua sustentação. Mas se a agricultura e a pecuária (nos seus diversos segmentos) forem bem, as cidades e fundamentalmente a governabilidade não terão com que se preocupar, porque todos os demais benefícios virão como natural consequência.

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