Perplexidade ante o desconhecido
Walmor Macarini
Despreparado para fenômenos que transcendem sua compreensão, até pela ausência do exercício de crer, o homem prostra-se, perplexo, ante acontecimentos como as anunciadas aparições de santas. Que falam a crianças e jovens, primeiro num país escandinavo, depois num pequeno município do Sul do Paraná e agora em Curitiba e Londrina.
O limiar do novo milênio, coincidindo com o final da Era de Peixes e o início da Era de Aquarios, está reservado a revelações fantásticas no campo do extra-sensorial. Já diziam nossos avós que o ano 2000 seria o do fim do mundo... O fim do mundo parece não ser, mas com certeza o fim de um período. Esta mudança de eras é um ciclo que ocorre a cada 2.160 anos, mais ou menos, e passamos por ela agora. O sistema solar passa a transitar sob a influência da constelação de Aquarios, ao tempo em que está completando uma volta em torno do Zodíaco, fenômeno que acontece a cada 26 mil anos. A Terra, que tem vida e pulsa, entra num realinhamento a partir de seu eixo, e isto significa não um mero acidente mas um procedimento consciente da suprema inteligência cósmica. Como consequência, nós terrestres começamos a ingressar num novo tempo. Que será de grandes revelações, evoluções e transmutações. E algumas turbulências. Os portais estão-se abrindo para uma grande expansão da consciência, e os que estiverem conectados verão coisas surpreendentes acontecerem.
A aparição das santas e manifestações semelhantes já estão ocorrendo simultaneamente em muitas partes do mundo, com mensagens idênticas. Tais fenômenos não são estranhos a uma já numerosa comunidade, no mais dos casos silenciosa. Importa saber que tais acontecimentos não constituem nenhum milagre. As pessoas têm dificuldade de absorvê-los porque, ao longo da vida, nunca acreditaram nessa possibilidade, nem a exercitaram.
Uma fantástica realidade invisível nos cerca, mas temos nos habituado a só registrar o que vemos com nossos olhos carnais. Então, precisamos de provas para tudo o que transcende o limitado alcance da visão. Não que o homem seja obrigado a acreditar, mas este mesmo homem, paradoxalmente, prostra-se em clamores aos céus nos momentos críticos invocando justamente a ajuda dessas divindades.
Outros, entre crédulos e desconfiados, ficam atentos esperando também ver a santa, mas se ficaram toda uma vida envoltos nas trevas do desconhecimento, sem nenhum esforço para descobrir algo além, como esperam, num repente, enxergar a luz? Não há nada de sobrenatural em tais aparições. As divindades (e outras formas de manifestação, de maior ou menor grau) sempre estiveram aparentes - nós é que nunca nos preparamos para enxergá-las.
E por que, como nos casos de Fátima, de Lourdes, de Guadalupe, e agora no Paraná, as santas se comunicaram e se comunicam através de crianças e jovens? Porque crianças e adolescentes são puros, ainda não impregnados de registros negativos, portanto canais abertos e espontaneamente sintonizados com frequências mais altas e mais sutis. Sintonizam-se não pela razão, que é analítica, mas pelo coração... No caso dos adultos - afora os que já alcançaram um nível mais elevado de evolução - a somatização de obstáculos, originados de crenças equivocadas, preconceitos, fanatismo religioso, atribulações mundanas, foi-se arraigando no inconsciente e lhes dificultou a sintonia com a luz.
Os registros negativos são a aceitação da pobreza como predeterminismo, sintonização com doenças e sofrimentos, idéias de pecado e de tenebrosos castigos divinos, fixação em poderes demoníacos, sentimentos de ira, ciúme, inferioridade; competição, maledicência, preguiça mental e sobretudo descrença na divindade inerente e imanente em cada um.
Em nossa vida temos cuidado de tudo menos de nossa espiritualidade, que é o essencial. Nunca temos pensado em descobrir nossa potencialidade interior.
Quando a Santa de Guadalupe apareceu ao indiozinho Diego, no México, foi numa época em que o povo mexicano encontrava-se em grande depressão. A aparição - certamente um propósito divino - reacendeu as esperanças daquela gente. Semelhante depressão vivem hoje os brasileiros, e estes sinais, tênues que sejam e mesmo em meio a incredulidades, talvez venham para nos alertar que há algo mais, além da lógica terrena.
A realidade invisível que nos cerca é mais visível do que muitos supõem. Crer ou não crer não altera essa realidade, mas com um pouco mais de crença, este mundo em que vivemos seria, como toda certeza, infinitamente melhor! Os portais não se fecham por alguém não crer, mas aquele que não crê fecha os portais para si. Se cremos em nossa eternidade, que é um milagre, por que hesitamos tanto em acreditar em algo mais?
A verdade é uma apenas, mas ela se apresenta conforme o grau de evolução de cada um. E quem chegou a este mundo com o propósito de doar-se, não deve ater-se a detalhes como a busca da compreensão e da pronta aceitação dos que pensam diferente.
Um dos males do homem foi sempre considerar-se insignificante diante de Deus, ignorando que é centelha do próprio Criador. Não crê que possa sintonizar-se com as dimensões superiores, de onde na verdade é originário. De qualquer modo, dentro de cada um irá manifestar-se, cedo ou tarde, o lampejo da supraconsciência esclarecedora e libertadora. Porque este é o nosso grande destino.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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