'PERNAS, PARA QUE TE QUERO!' - Corrida de rua pede atestado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Mania da vez, as corridas de rua e seus percursos têm arrastado um número cada vez maior de adeptos e participantes. No entanto, o que era para ser diversão e sinônimo de saúde esconde algumas armadilhas.
Nos últimos meses, um sem fim de mortes ocorridas - durante ou após as corridas - tem colocado organizadores e entidades em alerta. Em recente análise, o Ministério da Saúde sugeriu incluir em uma portaria a obrigatoriedade da apresentação de atestado médico para quem se inscrever nesse tipo de competição.
Estaríamos diante da solução? Para o professor de Educação Física da Unopar e especialista em Avaliação da Performance Motora, Raimundo Pires Jr., a iniciativa é válida, mas necessita, desde o início, do bom senso de quem está prestes a dar as primeiras passadas. Aos corredores de primeira viagem, fica a dica: check-ups cardiológico e físico são indispensáveis.
O senhor é favorável à obrigatoriedade do atestado médico para participação em provas de rua?
Totalmente. A exigência do atestado traz garantias à pessoa que vai praticar a corrida, então nada melhor do que um médico fazendo essa avaliação cardiológica e também um profissional da educação física para avaliar a capacidade física.
As corridas são a mania da vez. As pessoas tomam os cuidados preliminares antes de saírem em disparada, correndo por aí?
Como qualquer modismo, a maioria não toma as devidas precauções. Após o check-up cardiológico e físico, as pessoas devem fazer um bom trabalho de condicionamento físico que preconize não somente o treinamento aeróbico, como também o treinamento de força, que é muito importante. Ao correr, a pessoa garante a resistência cardiovascular. Entretanto, no momento da corrida, os músculos também estão em ação e requerem um fortalecimento para resistirem à atividade.
E os novos praticantes tendem a seguir o caminho contrário e só optar por uma atividade?
Vejo as pessoas mais conscientes hoje em dia, entretanto uma boa parcela da população parece ainda não ter entendido essa importância. Não adianta você apenas reduzir a gordura corporal. Por outro lado, para você ter um aumento da massa muscular, você precisa de um trabalho de fortalecimento, seja pela musculação ou pelo treinamento com peso.
Os corredores de primeira viagem ainda se inspiram nos exemplos da celebridade x ou y que estampam as revistas? Ou há uma mudança de comportamento?
Hoje em dia boa parte das pessoas tem procurado profissionais da área médica e da educação física. Basta vermos o quanto evoluiu a área de academias, personal training, entre outros. Infelizmente ainda há aqueles que começam sem orientação de um profissional. Por mais simples que sejam os objetivos, sem orientação, os resultados não serão atingidos.
Diz-se que correr é natural e treinar para corrida é diferente...
Exato. Vamos considerar o sedentário, que precisa passar por um processo de avaliação física e por uma conjunção de trabalhos. São necessários pelo menos três meses para esse indivíduo dar os primeiros passos para a corrida. Se essa pessoa sai correndo por aí, ela consegue, porque correr é um processo natural. O problema se dá depois, com dores na canela, no joelho e na coluna por conta da falta de um fortalecimento muscular. É impossível pensar em correr bastante sem lançar mão das precauções.
E em relação à zona alvo de frequência cardíaca? Quais são os cuidados a serem tomados?
A zona alvo possui alguns objetivos e um deles é delinear a frequência cardíaca num limite mínimo e máximo para ter uma ótima redução da gordura corporal. O outro ponto é estabelecer a intensidade do treinamento. Quem está começando, por exemplo, não pode trabalhar a 80% da frequência cardíaca, que é uma zona de condicionamento. Um sedentário teria que trabalhar de 40% a 50%, com um nível inferior para então subir gradativamente. Quem segue uma orientação em massa direcionada a um tipo de público - em revistas, por exemplo - está sujeito aos riscos.
O senhor acredita que a regularização no cenário dessas corridas acabe por vir? É otimista?
Em termos de regularização, vamos ter o mesmo problema que vemos em tantas áreas: o jeitinho brasileiro. Importante lembrar que essa garantia é principalmente importante para quem vai promover uma prova. Por outro lado, acredito que as pessoas devam, por iniciativa própria, procurar um profissional para atestar sua saúde em relação à participação na prova, esse é o ponto primordial.


