Talvez o governo preferisse atuar no grande mercado, mas se dedica ao pequeno comércio. O governo gostaria de mexer com lojas de departamentos, setor financeiro, hipermercados, essas coisas. Mas o seu negócio é mesmo o armazém de bairro, os armarinhos, os bares e lanchonetes modestos.
E aí o presidente Fernando Henrique fica fazendo contas de padeiro para atender um deputado aqui, um senador ali, um governador mais adiante. O mais grave é que o governo não tem uma rede de distribuição para atender tanta gente pequena. A freguesia fica descontente e ameaça boicotar os produtos oferecidos.
A primeira idéia era mesmo só lidar no ‘‘macro’’, com os partidos, para vender o produto básico: a reeleição. Só que nesse setor a demanda estava retraída. Na verdade, a maioria dos partidos estava na inadimplência, não tinha condições para arcar com responsabilidades dessa monta. O jeito foi mesmo lidar com os especuladores do mercado. O que fragilizou ainda mais os partidos e valorizou os caciques (como são chamados os grandes apostadores que entram e saem rapidamente de uma posição no mercado políticos).
Deu no que deu. O governo conseguiu dividir mais ainda o PPB, o PMDB e até o seu partido, o PSDB. Só o PFL continuou incólume. Mas o Planalto está fazendo força para transformá-lo em cacos, se não cuidar muito bem da nova operação que está sendo montada pelos seus alquimistas.
O objetivo é transformar o filho de Antônio Carlos o príncipe herdeiro da Bahia, em manda-chuva político do governo Fernando Henrique com direito a pairar sobre os outros, que também atuam nessa área, como Luís Carlos Santos. Íris Rezende e Sérgio Motta por incrível que pareça. Luís Eduardo Magalhães, em princípio, assumiria a liderança do governo na Câmara, no lugar de Benito Gama, que é deputado da Bahia, portanto do seu time, fechadíssimo.
A missão de Luís Eduardo Magalhães seria rearrumar a base de sustentação do governo, que anda capenga, e preparar o palanque suprapartidário de Fernando Henrique para a campanha da reeleição. É por isso que talvez não interesse um Ministério para Luís Eduardo. É que como ministro ele teria que afastar-se do cargo em abril para disputar as eleições de outubro do ano que vem.
Como coordenador político, Luís Eduardo poderia continuar fazendo a articulação do governo, inclusive, em cima do palanque, ao lado de Fernando Henrique, como candidato a vice-presidente. O projeto de Antônio Carlos Magalhães para o filho era entregar-lhe o governo da Bahia para que ele pudesse criar musculatura para concorrer a presidência da República em 2.002.
Só que já exercendo a vice-presidência o caminho fica muito mais livre, Luís Eduardo pode pegar o boné e ir ocupar o espaço que lhe é devido na Bahia. FHC quer Luís Eduardo porque acredita nele, mas a coisa não vai ser fácil. Existem vários obstáculos que têm nomes na operação. O primeiro é o PFL, o partido de Luís Eduardo, que já tem a vice-presidência da República.
Não vai ser fácil tirar Marco Maciel da chapa que foi vitoriosa na eleição anterior. Os pefelistas do grupo pernambucano acham que foi Maciel que deu a vitória a Fernando Henrique no primeiro turno. Ainda no PFL existe o grupo do presidente de honra do partido, Jorge Bornhausen, que está acesissímo no seu posto de embaixador em Portugal, assistindo aos acontecimentos.
Os tucanos do PSDB voltaram a reclamar. Andam choramingando pelos cantos, reclamando que não têm espaço no governo de seu partido. É mais um obstáculo, até porque os tucanos também querem cargos.
O PMDB foi atendido recentemente. Em três ministérios, Justiça, Transportes e Coordenação Política. O PPB tem o ministério da Indústria e Comércio. Por enquanto, os dois partidos estão quietinhos. Mas tudo vai depender das oscilações do mercado político. E quanto mais perto da eleição, mais instável fica esse mercado.

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