Curitiba - De dezembro, quando começam os jantares de encerramento do ano nas empresas, as festas de ''amigo secreto'', Natal, Ano Novo, até o Carnaval, a rotina das pessoas parece gravitar em torno de comer e beber. Essa tradição estimula o aumento no movimento em bares e restaurantes, favorecendo a criação de vagas temporárias e permanentes no setor. ''É nosso período de vacas gordas'', diz o empresário Luciano Karam, proprietário de restaurante na Capital.
Com esse período de bonança no horizonte, empresas do setor começam a oferecer novas vagas já em novembro. São oportunidades para auxiliares de cozinha e de garçom, copeiros, barmen e cozinheiros. Karam espera contratar até 20 profissionais freelance para atuar em suas duas casas.
''Normalmente damos preferência para quem já passou pela empresa'', adianta. Mas mesmo quem não conhece o restaurante pode conquistar uma oportunidade por lá. ''A pessoa precisa ser ágil, cortês, saber se portar e ter disposição para trabalhar'', diz.
''Para trabalhar na área de alimentação o asseio é fundamental'', aponta a psicóloga Suellen Steffens, da Consultale Planejamento e Soluções em Recursos Humanos. A empresa seleciona profissionais para cozinhas industriais e restaurantes.
''Há muitas vagas em cozinhas industriais nessa época do ano'', informa. A matemática disso é simples: com o aumento da produção na indústria em geral, aumenta também o número de refeições servidas nas fábricas. ''Tem empresa que chega a servir até seis refeições por dia. As cozinhas não páram'', diz.
Quer se candidatar a uma dessas vagas? É bom ter disposição. ''Nesse tipo de atividade, os turnos começam cedo, às 5 horas e terminam tarde'', adianta Suellen.
''O que o candidato precisa ter em mente é que quem trabalha nessa área deve estar na ativa na hora em que as outras pessoas estão descansando, se divertindo'', completa Lúcio Marcelo Chrestenzen, superintendente do restaurante-escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em Curitiba.
É o caso do aprendiz de garçom, Anderson Nardo Alves, 20 anos, que concluirá o curso do Senac dia 22 de novembro. As aulas no restaurante-escola começam às 8 horas. Mas para se manter, Alves costuma trabalhar como garçom freelance em diversos restaurantes da cidade. ''Trabalho de noite para não faltar aula. Meu turno vai até as 3 horas em geral'', conta.
Para Alves, a rotina puxada tem suas compensações. ''Ganho em torno de R$ 800,00 por mês, mas quando me formar devo conseguir dobrar esse valor'', prevê. Sua meta é chegar a ®MDBO¯maitre.®MDUL¯®MDNM¯ ''Era técnico de ar condicionado antes, mas o trabalho em restaurante é melhor e mais bem pago'', avalia.
Alunos do Senac como Anderson tem grandes chances de conseguir emprego antes de botar a mão no diploma.''Há vagas para trabalhar no litoral do Paraná, de Santa Catarina, em cruzeiros e em restaurantes da Capital'', conta Chrestenzen.
Apesar das vagas no setor não exigirem uma escolaridade muito alta, o conhecimento é um diferencial importante entre os profissionais que pretendem assumir uma vaga na cozinha. ''Para todo restaurante é importante manter o padrão das receitas'', explica o chefe de cozinha José Serra, que é professor do Centro Europeu e responsável pelo treinamento da equipe de cozinha dos restaurantes Albatroz.
''É preciso aprender a terminologia própria da cozinha, entender as diferenças básicas entre cortes, molhos'', diz. Segundo o chefe, mesmo quem desempenha uma função menor tem que entender o processo. ''Ele precisa saber o que o cozinheiro está falando, é importante que todos falem a mesma língua'', analisa. Para Karam, um exemplo disso são os molhos. ''Quem trabalha na cozinha deve saber que não é molho branco, é molho bechamel'', aponta.

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