Perigo nas redes sociais
A apreensão de uma adolescente de 15 anos, de classe média de Mogi das Cruzes (SP), serve de alerta para famílias brasileiras que não controlam o que estampam nas redes sociais e nem acompanham o uso que os seus filhos fazem da internet. A jovem, filha de um dentista, é acusada de extorquir um empresário durante duas semanas com base em informações que coletou no perfil da vítima no Facebook. Ela exigia do dono de uma empresa que vendia carros de luxo a quantia de R$ 100 mil, caso contrário ameaçava sequestrar a filha do empresário. Foram várias mensagens assustadoras com um vocabulário bem marginal.
A polícia entrou no caso no dia 12 de maio depois do empresário ter recebido o primeiro e-mail. Na última quarta-feira, após rastrear uma dúzia de mensagens e mais os dados bancários fornecidos para o depósito (o número da conta era da mãe da adolescente), os policiais chegaram à casa da garota. Eles contaram aos repórteres que não imaginavam encontrar no lugar do ''perigoso sequestrador'' uma adolescente com ar infantil que admitiu com tranquilidade a autoria das mensagens.
A adolescente disse à polícia que queria o dinheiro para se igualar às amigas de escola, que usam tênis importados e têm uma vida financeira melhor que a dela. Surpresa também ficou a mãe da menina, que reconheceu que a filha passava o dia inteiro no computador, mas não imaginava os sites que ela visitava.
Um caso como esse provoca várias reflexões. O primeiro aspecto diz respeito à forma despreocupada como as pessoas se relacionam nas redes sociais, muitas vezes abrindo informações pessoais sem restrição para ''amigos'' que nunca viram na vida.
Trata-se também de mais um alerta para os pais sobre o uso que os filhos fazem do computador. Vale lembrá-los que a internet pode ser usada tanto para o bem (pesquisas escolares, conversas com amigos, estudos) quanto para o mal (conteúdos pornográficos, sites que promovem a violência, o racismo) e cabe às famílias acompanhar o tempo de permanência e a utilização que as crianças fazem do computador. Por fim, o caso da menina de Mogi das Cruzes mostra as consequências do consumismo exagerado entre crianças e jovens. Para todas essas questões, o diálogo entre pais e filhos é a melhor indicação.





