Perigo da retomada do Programa Nuclear
A boa notícia é o projeto de construção da Rodovia Interoceânica, ligando o Atlântico ao Pacífico, e a péssima e preocupante é a iminência de o Brasil retomar o programa nuclear, com o projeto de construir a terceira usina atômica em Angra dos Reis. Porque se trata de um risco, por causa do lixo atômico e de eventual vazamento nuclear, de que foi exemplo o desastre que ocorreu em 1986 em Chernobyl, na antiga União Soviética. O Brasil é um país rico em potencial de energia renovável e limpa, como a solar, a dos ventos, a da biomassa, para não falar da produzida pelas usinas hidro-elétricas e termo-elétricas, não obstante estas últimas também sejam prejudiciais, uma por inundar áreas que podem produzir alimentos e a outra pela poluição por queima de fósseis e emissão de gases poluentes. Contudo, nada se compara ao perigo da usina nuclear, porque o poder do lixo radioativo se mantém por milhões de anos. Ademais, o mais grave dos riscos é o vazamento, com a consequente propagação de radiação por algum defeito técnico ou acidente. Preocupa o fato de já estar na mesa do presidente da República esse projeto de retomada da corrida nuclear, que prevê a construção de nova usina, outras duas do mesmo porte, na sequência, e quatro de menor tamanho, perfazendo um investimento previsto de 13 bilhões de dólares, até 2022. Após décadas de pesquisa, o resíduo nuclear é uma questão ainda não resolvida, como alerta a diretora da Associação Ambiental Defensores da Terra, Margarida Oliveira. Ela adverte que, se o Brasil continuar investindo no programa nuclear, estará promovendo algo que irá pôr em risco as futuras gerações. Não se entende a imprudência dos que defendem a geração de energia nuclear, como alguns pesquisadores e cientistas absortos na obsessão de desenvolver essa tecnologia, a qualquer custo e sem medir consequências. Eles perfilam entre os colegas que, um dia, produziram a bomba atômica e a fizeram chegar ao domínio de governantes insensatos, que as lançaram sobre cidades e dizimaram milhares de pessoas, deixando outras tantas com dolorosas sequelas até hoje. O Brasil é um país pacífico mas de governantes pouco esclarecidos quanto à questão ambiental veja-se o exemplo da devastação da Amazônia e capazes de cometer atos imprudentes. A própria instalação da Usina de Angra foi uma decisão irresponsável, recordando-se que decorreu de uma benesse do presidente Ernesto Geisel à Alemanha, no período da ditadura. Aquele país precisava desovar os equipamentos (na época considerados sucata) e o Brasil afigurava-se como potencial adquirente. Geisel propiciou a compra, e iniciava-se assim a instalação do sistema nuclear brasileiro. Outro pecado foi o local escolhido para instalar a usina a bela região turística do Estado do Rio de Janeiro, próxima de uma populosa cidade. Milhões foram enterrados ali, durante os longos anos gastos para concluir a usina e dar-lhe função. Não apenas pelo elevado risco, a energia nuclear é cara, suja e obsoleta, constituindo um absurdo num país com tanto recurso para produzir energia alternativa. O presidente Lula precisa ser alertado sobre esse perigo, cujo potencial de danos é milhares de vezes superior aos mais escandalosos cometimentos de corrupção. Porque a radiação exposta, como alertam os cientistas, continuará ativa por milhões de anos. A comunidade científica consciente, os parlamentares, as organizações não-governamentais, lideranças nacionais, os ambientalistas e a nação inteira precisam mobilizar-se e demover o Presidente da idéia de mais uma insensatez.





