Flagrantes de menores ao volante acontecem todos os dias. Nesta semana, um grave acidente de trânsito provocado por um adolescente de 16 anos chocou Londrina. Três rapazes em um veículo trafegando a 120 km/h - segundo cálculo da polícia - em uma via onde a velocidade máxima permitida é de 50 km/h. Depois de perder o controle, o veículo se chocou contra um outro carro que estava na direção contrária, deixando cinco feridos, entre eles um bebê de apenas 2 meses e sua mãe. Infelizmente, acidentes graves provocados por menores de idade são frequentes, embora não sejam feitas estatísticas oficiais.
Não é à toa que menores de 18 anos não têm direito à carteira de habilitação. Não têm maturidade suficiente para conduzir um veículo, para lidar com imprevistos, agilidade para tomar decisões, entre várias outras características necessárias. O ato de dirigir também faz parte de um processo de aprendizado e, pular algumas dessas etapas, pode trazer consequências negativas, como é o caso agora. Também expõe uma grave ferida dos tempos atuais: a falta de educação, de limites e de valores. Tudo isso deve ser repensado.
A educação das crianças parece ter sido ''terceirizada'', ficando a cargo da escola, dos professores, da Justiça - menos da família. Educar é difícil e exige um esforço contínuo. Nesse caso, a alegação dos pais é que o adolescente teria pegado o carro da família escondido. Resultou em um acidente, que o proprietário do veículo terá que responder civil e criminalmente. As sanções previstas no Código de Trânsito Brasileiro são multa de natureza gravíssima no valor de R$ 574,62, mais perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação por emprestar o carro a motorista não habilitado. O veículo também é apreendido. Além disso, o proprietário terá que arcar com indenizações em caso de mortes ou feridos, enquanto o jovem também pode ser responsabilizado criminalmente e autuado por ato infracional, podendo ser obrigado a cumprir medidas socioeducativas.
Já passou do momento da sociedade refletir sobre a educação de crianças e jovens. Afinal, qual o futuro que queremos construir? A julgar somente pelos acidentes de trânsito, se nada for mudado, a tendência é que só aumentem.

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