Perfis que rejeitam reformas
Os dois presidenciáveis, Dilma e Serra, não levam jeito de que farão a reforma tributária nas dimensões que a economia reclama há uns 30 anos. Têm em comum um perfil político refratário a qualquer proposta de revisão do papel do Estado. E a reforma tributária esbarra nessa concepção.
FHC e Lula empurraram com a barriga; não mostraram o menor interesse e ainda pegaram períodos legislativos cujos parlamentares trabalhariam contra, se necessário. A reforma não é um aprimoramento do aparato burocrático; ela precisa de um governo voltado para a racionalidade e contra os vícios de um setor público gastador, esbanjador e desrespeitoso com a economia alheia.
Por que teria de ser assim? Porque uma das vertentes da reforma tributária passa pela desoneração das empresas para reduzir a carga tributária, algo que implica em redução dos gastos da estrutura do governo. Impõe, portanto, que se reveja o tamanho do Estado, uma ofensa para os políticos e burocratas que dormem no conforto da portentosa arrecadação federal. Muito implica em passar por outra reforma, a reforma fiscal. Imexível para perfis ideológicos estatizantes.
O que um dos dois candidatos pensa da reforma tributária é ridículo. Ontem, durante debate na Confederação Nacional da Indústria, a candidata Dilma Roussef foi perguntada sobre a situação tributária do País. Dilma afirmou ser caótica. Nós tentamos várias vezes encaminhar projetos de reforma tributária, mas a situação tributária é caótica, disse.
Existe resposta mais inconsistente? Entre o hermetismo da resposta difusa de Dilma Roussef e qualquer coisa que venha a ser dito pelo candidato Serra, o melhor é não acreditar em reforma tributária - também fiscal - com esses dois, qualquer que seja o eleito. Para quem falou num ambiente de empresários e técnicos, bem que Dilma poderia pelo menos disfarçar melhor.
Coincidentemente nesta semana, consumidores, comerciantes, trabalhadores, enfim os agentes econômicos, tomaram posse do que é seu. Ou seja de 1º de janeiro até meados de maio, tudo o que se produziu foi para pagar impostos. O dinheiro foi para o governo.





