Ainda há lugar e razão para homenagear homens públicos, porque eles existiram no passado, outros de igual estatura ainda vivem e deixaram a vida pública, e outros existem no exercício do poder. Se o povo repudia a maioria dos políticos, os bons marcam presença aqui e ali. José Hosken de Novaes, que faleceu nesta terça-feira, foi um deles. Advogado brilhante, prefeito de Londrina, Secretário da Fazenda do Estado e por oito meses governador do Paraná (na qualidade de vice que era de Ney Braga, guindado na época a cargo mais alto na República), Hosken foi o exemplo de homem público, a testemunhar que é possível governar com probidade, realizar obras e não apropriar-se de um centavo sequer do dinheiro do povo. Porque ser honesto, em tal circunstância, não é apenas um postulado da boa política mas um estado de consciência. Hosken viveu e morreu detentor desse atributo. Integrando a ‘‘velha e rancorosa UDN’’, como ele mesmo gracejava repetindo vozes que emanavam dos contrários, ele foi sempre coerente com sua linha político-ideológica. Mineiro de Carangola e capitaneando uma das quatro gestões mineiras do município de Londrina, Hosken trazia em seu alforje a linhagem de tradicionais políticos das Minas Gerais – jeitoso, afável, culto, democrata, sério e com posições claras e definidas. Se tinha adversários, nunca fez inimigos. Nos tempos da ditadura militar, sua formação não aceitava o regime e nem o arbítrio, mas ele soube conviver em harmonia com o momento imperante, porque detinha cargo de comando e não podia prejudicar a população por conta de eventuais enfrentamentos com o poder dominante. Era cauteloso sem ser subserviente. Discípulo de Ney Braga – outro dos notáveis – também foi seu mestre em determinadas ocasiões. Ney o ouvia. A obra física de maior expressão de Hosken de Novaes como prefeito foi a companhia telefônica municipal, implantada segundo padrões avançados e que é hoje exemplo em tecnologia e excelência, graças aos fundamentos de origem e às exigências futuras. Os advogados o louvam com excelente mestre e companheiro, os políticos exaltam seu exemplo, os cidadãos têm desse homem público apenas boas referências. Não é comum na história política deste país a oportunidade de se fazer a exaltação de homens da vida pública. Com José Hosken de Novaes isto se torna fácil, porque não se conhece de sua atuação político-administrativa o mínimo arranhão. Em tempo de crise de moralidade na gestão pública brasileira, como a agora vivida, é gratificante poder escrever que políticos sérios existiram e que um punhado deles pontifica na atualidade. Enquanto houver esses exemplos há esperança.

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