O que se poderia esperar da atual campanha eleitoral? Não é difícil imaginar. No caso de Londrina - uma cidade mal refeita do impacto negativo causado pelos escândalos na Câmara Municipal - esperava-se, pelo menos, uma campanha mais decente, sobretudo mais objetiva. Se o perfil dos candidatos e de seus marqueteiros não permite esperar programas criativos, originais e inteligentes, que pelo menos nos poupassem das agressões à inteligência do eleitor.
Mas não. Insistiram na mesmice e no engodo de campanhas de oito ou mais anos atrás. Os teores das mensagens são fracos. Nesta campanha eleitoral é possível que a cidade tenha descido alguns degraus na escala da civilidade.
Imaginação mesmo só para as coisas erradas. Exemplo? O programa de um candidato a prefeito chegou a se utilizar de uma montagem grotesca para usar o logotipo da FOLHA DE LONDRINA e inserir textos contra a administração defendida por seu adversário. A montagem sugere que a FOLHA publicara determinada matéria.
Tantas vezes este jornal denunciou falhas nas administrações municipais, estadual e federal que não seria necessário, portanto, aplicar uma mentira ao público da televisão, atribuindo à FOLHA o que ela não divulgou.
Em artifício semelhante, um vereador assumiu a paternidade de montagem igualmente grotesta feita a partir de matérias publicadas por um jornal de Brasília contra um candidato de partido adversário.
Ousadia. Políticos, ou melhor, determinados políticos, são assim mesmo. Quando deveriam ousar em favor de causas comuns, são omissos. Mas quando é para o seu interesse aí eles mostram toda sua audácia. São acometidos de uma espécie de impulso somático inclinado para o ilícito. A imaginação transcende a lógica e chega a esse ponto: montar reportagem em jornal e criar manchetes mesmo sem nunca ter passado perto de uma Redação.
São atitudes desestruturadoras da boa cena política. Atitudes assim é que despertam o sentimento de rejeição aos políticos - quando política deveria significar coisas boas, como arte de governar.
Que pena! Atribuir marotamente ao jornal a autoria de uma reportagem que não foi feita. Não se sabe o que é pior: falsear a verdade ou criar a mentira. E nós - que mantemos equidistância e neutralidade - temos que digerir arroubos de quem precisa atacar justa ou injustamente seus adversários para ganhar notoriedade.
A pergunta que se faz aos políticos é: Não dá para ser verdadeiro? Por que o político tem que fabricar fatos? Por que transformar a indignação do público em ativo eleitoral? Não dá para romper os vícios antigos? Não dá para protagonizar a boa cena, o bom debate?
Para reflexão: será que tudo isso também não decorre das distorções criadas por uma legislação permissiva para com políticos (que já detêm cargos eletivos, que estão no poder) e rigorosa com a imprensa, envolta em camisa de força e com pouca liberdade para denunciar e criticar?

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