A irreverência empresarial, representada por seus departamentos de seleção e recrutamento de pessoal, às vezes tem menosprezado valores humanos para o preenchimento de seus quadros funcionais. Esses departamentos enumeram exigências e formalidades desnecessárias e prejudiciais ao empregador e ao pretendente ao emprego. Fatos assim, além de empobrecerem o processo seletivo, eliminam, compulsoriamente, possíveis pretendentes, entre os quais, com certeza, existem grandes talentos que, por via de regra, ficam impedidos de participar da seleção.
Além da falta de perspectiva para o mercado de trabalho, os jovens, novos profissionais, ao concluírem seus cursos, encontram sempre o obstáculo da falta de experiência para o primeiro emprego. Essa e outras exigências que as empresas fazem para contratar seus funcionários são desprovidas de consistência. O Comércio, a Indústria e o setor de prestação de serviços nada têm a ganhar com isso.
Por vezes encontramos anúncios assim: ''Precisa-se de um auxiliar administrativo com segundo grau completo, do sexo masculino, boa aparência, idade mínima, 25 anos e com um ano de experiência''. Analisando os itens deste anúncio, verifica-se que só um deles é mesmo importante: aquele que exige o segundo grau completo. É a partir desse nível de ensino que os jovens passam a conhecer atos e fatos administrativos. A exigência do sexo masculino não tem nenhuma consistência. Essa função pode ser exercida, plenamente, por uma mulher. Este item elimina, de modo despótico, mais ou menos 50% dos possíveis concorrentes do sexo oposto, sem nenhum objetivo pratico para a empresa.
Deve-se ainda questionar com reprovação a exigência de idade mínima de 25 anos, quando o cidadão alcança maioridade aos 2l. Esse requisito, é prejudicial, não só aos jovens, como também á própria empresa. Não se podem cercear os direitos de uma juventude inteligente e criativa, de participar das competições seletivas de uma função profissional para a qual se preparou. ?
O pior que acontece nessa prática é a exclusão de alguém, sem conhecê-lo; pois, entre os eliminados por um processo ultrapassado, podem estar os melhores administradores do setor empresarial. Na verdade, os grandes talentos entre 2l e 25 anos já estão concluindo o curso superior e estão ansiosos por exibirem suas habilidades profissionais. Por que, então, excluí-los?
A inteligência, as aptidões funcionais, as habilidades e outras características do cidadão só poderão ser detectadas por meio de testes seletivos e de entrevistas e não por experiências passadas, ou ainda por apenas uma pequena diferença de idade.
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina

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