Grande parte do que é produzido no mundo civilizado é consumido em outras regiões, países ou continentes. Por conta disto não existe economia dinâmica sem o fluxo de matéria-prima para ser transformada, capital para ser investido, tecnologia para ser incorporada e produtos sendo entregues. Portanto, negócios sendo realizados.
Como é óbvio o fluxo que alimenta uma saudável economia, no plano do capital humano, ele é composto de técnicos, professores, executivos, compradores e vendedores, e certamente empresários, que se locomovem rapidamente de um canto ao outro do mundo.
Diante dessas constatações podemos afirmar, sem medo de errar, que a pujança da economia de uma região está diretamente relacionada ao grau de desenvolvimento de sua infra-estrutura, que permita de forma segura e rápida este fluxo. Neste contexto não se pode abrir mão de um moderno aeroporto com vôos regulares para os principais centros econômicos do Estado e do País.
Como as informações acima podem ser acessadas por qualquer bom administrador, no último dia 28/09 foi assinado em Maringá um edital de licitação internacional do aeroporto daquela cidade, com objetivo de transformá-lo em referência em transporte de carga da região, além é óbvio de incrementar o turismo e os negócios na cidade. Há poucos dias (19/09) a administração do Aeroporto Afonso Pena comemorou um recorde de embarque de carga num único avião. Foram 48 toneladas de mercadorias provenientes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul destinadas aos Estados Unidos.
Londrina e região têm empresas que produzem para o mercado nacional e internacional, centros tecnológicos de alto nível, entidades das mais variadas, empenhadas no desenvolvimento da região e do Estado. É referência em vários setores da prestação de serviço, mas tem apenas uma pista para vôo e decolagem, com carência desmedida de equipamentos, que nós chamamos de aeroporto. Na verdade é como o Brasil: orgulha-se de ser pentacampeão de futebol, de fazer uma das maiores eleições do mundo com mais de 100 milhões de eleitores, etc., mas também tem mais de 55 milhões de paupérrimos, que não chamamos de miseráveis, porque a cada dia esses conceitos são mudados.
Somos uma das maiores cidades do interior do Brasil, com a terceira população da região Sul, mas não temos um aeroporto, e daqui a alguns dias não teremos nem avião descendo na nossa pista, pois a cada dia mais uma empresa cancela seus vôos para nossa cidade.
Dessa forma como sobreviverá a nossa economia? Como manterão nossas universidades intercâmbios e congressos? Como continuarão trabalhando as entidades que patrocinam o desenvolvimento da região em apoio e qualificação a gestores e mão de obra em geral? E a população de Londrina, que tanto necessita de oportunidades de melhores empregos e melhores salários?
Na certa, dependeremos da boa vontade daqueles que abrirão mão do conforto de um vôo rápido e confortável, para levar e trazer pela estrada, com os perigos que a rodam e o tempo desnecessário de viagem, os negócios e progresso que nossa cidade tanto necessita. Tempo que em negócios nunca deve ser menosprezado. Pois na competição por maiores e melhores investimentos são eles quem determinam a atrofia ou hipertrofia econômica de uma cidade ou região.
MARCOS TADEU KOSLOVKI é empresário e presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado do Paraná (Sivepar)

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