O futebol brasileiro chegou ao fundo do poço com a goleada de 7 a 1 sofrida nas semifinais da Copa do Mundo pela seleção para a Alemanha, que viria a ser campeã mundial. O resultado por si só demonstra o abismo tático, técnico e de planejamento existente entre as duas seleções e reflete o quão diferente o esporte mais popular do mundo é tratado em nosso país e no europeu.
Os alemães promoveram uma ampla reformulação na estrutura do seu futebol após o fiasco na Eurocopa de 2000, quando foram eliminados na primeira fase. Um plano foi montado para reerguer o futebol alemão a partir do investimento nas categorias de base. Desde então, US$ 1 bilhão foi gasto no desenvolvimento de jovens estrelas. Hoje, são 366 centros de treinamento de menores, empregando mil treinadores e dando espaço para 25 mil alemães tentarem a sorte no futebol. O resultado vimos há dez dias: o título mundial.
No Brasil, não existe um projeto uniforme para formação de atletas. Cada clube trabalha de forma distinta, sempre preocupado em ganhar taças, ao invés de preparar os jogadores adequadamente para quando chegarem ao futebol profissional terem condições de atuar em alto nível internacionalmente.
Após o fiasco na Copa do Mundo, esperava-se que houvesse uma grande reformulação no futebol nacional. Era o momento ideal de iniciar um trabalho planejado e estruturado com o objetivo de alcançar o título mundial em 2018, na Rússia.
Mas, para surpresa da maioria, o comando da Confederação Brasileira de Futebol decidiu apostar em um velho conhecido. Dunga, técnico na fracassada campanha no Mundial de 2010, terá mais uma oportunidade no comando da seleção brasileira.
A escolha de Dunga frustra, em princípio, a expectativa de ver nossa seleção voltando a apresentar um futebol vistoso, que encantava a torcedores mundo afora no passado. O técnico até obteve resultados positivos em sua primeira passagem, como os títulos da Copa América e da Copa das Confederações, porém em nenhuma dessas competições nossa seleção foi brilhante.
Se nenhuma surpresa muito positiva acontecer nos próximos quatro anos, teremos, muito provavelmente, um novo dissabor em 2018. É esperar para ver.

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