Em recente artigo publicado na Folha de Londrina, a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa fez a seguinte indagação: ‘‘Por que haveria de interessar à CUT a estabilidade econômica brasileira?’. Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que essa pergunta exibe, em sua essência, a concepção de que só existe um caminho para a estabilização da economia e, portanto, tudo se justifica. Essa concepção é autoritária, e está presente constantemente no discurso oficial do Planalto, na tentativa de desqualificar aqueles que manifestam discordância em relação às posições do governo.
É bom que fique registrado com todas as letras: A CUT tem todo o interesse na estabilidade econômica, desde que signifique a melhoria da qualidade de vida dos segmentos mais pobres da população. Discordamos radicalmente que em nome da defesa dessa estabilidade sejam tomadas medidas que levem o Brasil à recessão econômica, agravando ainda mais os problemas sociais existentes. As medidas anunciadas pelo governo FHC em resposta à crise financeira internacional já estão produzindo os seus primeiros devastadores resultados. Com a redução dos investimentos, da produção e das vendas, multiplica-se o exército de desempregados e subempregados, comprometendo a subsistência de milhões de famílias.
É perversa a forma seletiva como o pacote do governo sacrifica setores sociais que historicamente arcam com o ônus das crises e protegem a concentração de renda e riqueza.
A nossa luta é por uma sociedade justa, democrática e solidária. Queremos que o Brasil fique livre da dor do desemprego, da exploração do trabalho escravo e infantil, de qualquer forma de discriminação e da hipocrisia daqueles que insinuam ser nossa luta contrária aos interesses da nossa nação. Uma imensa parcela de brasileiros e brasileiras come mal, veste mal, não pode consumir coisa alguma, não tem acesso ao lazer, à cultura, à educação e à saúde de qualidade.
E essa realidade não foi alterada pela estabilização econômica em curso. Pelo contrário. De acordo com os dados do DIEESE/SEADE, o desemprego atingiu um recorde histórico na Grande São Paulo. E o presidente da República, em lugar de apresentar propostas para combater o desemprego, prefere a cômoda e oportunista posição de questionar a legitimidade dos dados divulgados, por mais que a realidade os evidencie.
Abominamos a tese de quanto pior, melhor. É justamente por isso que historicamente temos nos colocado como críticos e opositores ao modelo de desenvolvimento econômico que prejudica a nação. Nunca houve tanta miséria e exclusão social em nosso país como hoje. A inserção subordinada do Brasil no contexto do mercado global tem garantido inúmeros benefícios ao capital especulativo, em detrimento dos interesses da maioria da população.
Somos uma central sindical que representa amplos setores dos trabalhadores brasileiros, no setor público e no setor privado. Hoje, no setor privado, há 18 milhões de trabalhadores na base, sendo 5 milhões 600 mil associados. E no setor público são 1 milhão e 500 mil trabalhadores na base, e 474 mil associados.
A CUT é uma entidade democrática, subordinada aos interesses dos trabalhadores que representa e comprometida com a construção de uma sociedade-cristã.

mockup