A estiagem que vem assolando o Paraná está causando perdas irreparáveis para o produtor rural e para o País. E num momento tão crítico como esse fica ainda mais evidente a fragilidade da política agrícola brasileira. A ausência de regras definidas previamente e de uma linha de comercialização justa têm deixado os agricultores brasileiros bastante vulneráveis aos fatores externos.
Vejamos o exemplo do milho. O Brasil precisa de 35 milhões toneladas de grãos para abastecer o mercado interno. Na safra principal, foram colhidas 27 milhões de toneladas. O restante seria complementado com a chamada safrinha. Porém, os dados levantados pelas instituições de pesquisa não são nada animadores e revelam que a ‘‘quebra’’ na produção pode chegar à 80%. A situação é ainda desanimadora na região Norte do Paraná e no Sul de São Paulo, onde há o temor de que essa redução chegue a 100%.
Com a ‘‘seca’’ registrada até o momento, o quadro é cada vez mais dramático. O governo federal vai ter que importar de 5 a 6 milhões de toneladas para abastecer o mercado interno e suprir a perda verificada. E o pior, terá que fazer a um custo de R$ 17,00 a saca de 60 quilos no posto/porto e sob o risco de comprar um produto de origem transgênica.
O produtor rural brasileiro atendeu aos apelos do Brasil, investiu em tecnologia e no ano passado recebeu apenas de R$ 3,50 a R$ 7,00 pela saca de 60 quilos – valor incompatível com o custo de produção. Apesar do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, ter se empenhado e demonstrado no mês de fevereiro, em Londrina, durante uma reunião com representantes do setor, sua preocupação com eventuais dificuldades no abastecimento do milho e do trigo, é necessário que o governo federal adote urgentemente uma política agrícola de longo prazo.
A classe produtora não pode mais ficar sujeita a intempéries e, por isso, considera inadmissível a falta de uma política de preços e de um seguro de renda para o setor. É preciso que o agronegócio – área responsável pela constante geração de empregos e fator relevante na balança de pagamentos do País – receba neste momento um tratamento digno por parte do governo federal.
EDSON NEME RUIZ é vice-presidente da Sociedade Rural do Paraná

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