Uma disputa judicial por um imóvel no centro de Londrina pode resultar no fechamento de uma escola infantil que funciona no local há 24 anos. O Centro de Educação Infantil Professora Adelina Castaldi Novaes (Presipe) pertencia ao Estado e foi criada para atender aos filhos dos funcionários públicos. Na gestão passada do governo estadual, no entanto, esse vínculo foi desfeito. A situação piorou para a escola há quatro anos, quando o prédio que pertencia ao Instituto de Previdência do Estado (IPE) foi repassado para a ParanáPrevidência, empresa que administra o fundo de pensão do funcionalismo paranaense.
O Presipe já chegou a atender mais de 270 crianças de dois a seis anos, mas hoje possui apenas 37 alunos matriculados. A estrutura oferecida é das melhores: as crianças têm aulas de artes e recreação, musicalização, informática, inglês, além de biblioteca, ludoteca e horta. A diretora Osenilda Severina da Silva Baggio diz que, por tudo isso, ''a escola sempre teve lista de espera''.
Ela explica que, desde a fundação da escola, os pais sempre pagaram uma mensalidade simbólica. Mas, a partir de 1996, começaram os problemas. Naquele ano, o governo do Estado demitiu os professores e serventes contratados pelo regime da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Os pais decidiram recontratá-los arcando com o pagamento dos salários. Dois anos depois, o Estado dispensou os funcionários contratados pelo regime estatutário. A Associação de Pais e Mestres (APM) voltou a assumir mais este custo. Resultado: hoje a escola não é mais pública funciona como uma cooperativa e os pais pagam uma mensalidade de R$ 150,00.
Em 2001, a ParanáPrevidência, que recebeu o prédio do IPE, entrou com uma ação de despejo pela falta de pagamento do aluguel. Um acordo foi tentado, mas a proposta de R$ 2,8 mil não foi aceita pela direção da escola. ''Isso não tem nem cabimento para nós. Mandamos uma proposta de R$ 1 mil mas não foi aceita'', relata Osenilda.
A presidente da APM do Presipe, Ana Maria Cruz Nascimento, destaca que a direção da escola não quer criar nenhum atrito político ou entrar em choque com a ParanáPrevidência. ''Nosso interesse é lembrar o que o Presipe foi, é e o que ele ainda pode oferecer à comunidade de Londrina.''
O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Rony dos Santos Alves, diz que escolas infantis como Presipe de Londrina foram criadas também em Curitiba e Ponta Grossa, mas apenas na capital se manteve atrelada à Secretaria de Estado de Educação. Ele argumenta que o problema em Londrina é de difícil solução, principalmente por dois motivos: a ação de despejo movida pela ParanáPrevidência e a municipalização em alguns anos da educação infantil. ''Continuamos com o interesse de que a escola volte a ser pública'', comenta.

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