A posição do Governo do Paraná em proibir o embarque de soja transgênica pelo porto de Paranaguá foi a razão central para a iminência da retomada da administração portuária pela União. E não apenas isto mas também as irregularidades e insuficiências do porto, que vêm sendo apontadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, pelos Tribunais de Contas da União e do Estado, pelo Ministério dos Transportes, pela Receita Federal e pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep). O projeto de decreto legislativo, ora aprovado pela Câmara Federal e que por 90 dias susta o convênio com o Governo do Paraná para administrar os portos de Paranaguá e Antonina, terá ainda de ser aprovado pelo Senado. Isto ocorrendo e decorrido aquele prazo e dependendo da auditoria que se fizer nos dois portos não haverá certeza de que a administração retorne ao Estado. A iniciativa de suspender o convênio foi do deputado federal paranaense Ricardo Barros e conta com o apoio de outro parlamentar do Paraná, Eduardo Sciarra, que é membro da Comissão de Agricultura da Câmara, onde começou a germinar a idéia da intervenção. Há falhas de gestão nesses portos, e um desfecho como o que agora ocorre já era esperado, segundo os críticos dos portos. Também nada garante que uma mudança de comando venha a cessar as irregularidades e outras falhas, porque o Governo federal também não tem sido bom exemplo de gestão, ademais o momento ora vivido não o recomenda para nenhum gerenciamento. Mas também não se pode acreditar que o que está acontecendo é ''ação de um grupo que trabalha contra os interesses do Paraná'', como as vozes do Governo estadual proclamam. As denúncias de irregularidades e de insuficiência da estrutura do embarcadouro vieram se avolumando e sabia-se do desfecho de agora, podendo ocorrer a devolução desses portos à União. A recente tomada de posição do governador Roberto Requião contra a adesão de seu partido (o PMDB) ao Governo Lula, nesta hora crítica, não teve influência na medida tomada, porque o projeto vinha tramitando desde o ano passado, mas o estremecimento das relações entre os dois governos (e por extensão é o que a administração Lula arranjou também com vários outros) poderá dificultar a continuidade do domínio do Estado sobre os terminais portuários. Até porque era a boa convivência entre Lula e Requião que vinha resistindo às pressões para a União retomar os portos. A eventual perda do controle significará uma perda política, um enfraquecimento logístico do Paraná mas também um desencargo. Os exportadores aplaudirão, porque os problemas dos dois ancoradouros vêm lhes causando prejuízos. E, sem discutir-se no momento as razões do governador Requião contra os transgênicos e sua intransigência de exportá-los por via dos portos paranaenses, o eventual retorno da administração portuária à esfera da União desafogará os demais portos e será, sem dúvida, saudado pelos exportadores.

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