Perda de leitos hospitalares
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terça-feira, 30 de julho de 2019
Folha de Londrina 
No ano passado, uma imagem que correu o País mostrava a situação degradante do atendimento hospitalar a crianças em um hospital público do Espírito Santo. Sem leitos para acomodar os pacientes, que incluía até bebês, a instituição acomodava os meninos e meninas (acompanhados dos pais) em lençóis e cobertores estendidos no chão do pronto-socorro. Quem tinha sorte, conseguia tomar soro e medicamentos em cadeiras de plástico. A situação se passava no Espírito Santo, mas poderia ser em qualquer cidade do Brasil. O triste quadro não se restringe a municípios com estrutura mais precária.
As condições da rede hospitalar infantil preocupa no País e um estudo divulgado nesta segunda-feira (29) pela SBP ( Sociedade Brasileira de Pediatria) reforça que pouco vem se fazendo nos últimos anos para reverter o quadro dramático. A entidade realizou um novo levantamento sobre a disponibilidade de recursos físicos dos serviços de assistência à criança e ao adolescente no Brasil. A pesquisa revelou que, nos últimos nove anos, o País desativou 15,9 mil leitos de internação pediátrica, aqueles destinados a crianças que precisam permanecer no hospital por mais de 24 horas.
Segundo a SBP, nos últimos nove anos, o SUS (Sistema Único de Saúde) cortou quatro leitos pediátricos por dia. De acordo com os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde, mantidos pelo Ministério da Saúde, em maio de 2010 o País dispunha de 48,8 mil leitos no Sistema Único de Saúde. Em 2019, o número baixou para cerca de 35 mil.
Engana-se quem pensa que a redução aconteceu apenas na rede pública. Quem conta com um plano de saúde ou procura atendimento em unidades privadas também viu cair em 2.130 o número de leitos no mesmo período. Dezenove estados perderam leitos pediátricos na rede “não SUS”.
O Paraná foi o que mais perdeu leitos pediátricos entre os estados do Sul. No total, 1.204, sendo 1.039 no SUS. Quando uma criança chega a um pronto-socorro sem condição de receber pacientes, normalmente há um período de espera e quem sofre é o doente, além dos pais e até a equipe de médicos e enfermeiros.
Autoridades da área da saúde pública colocam que a redução do número de leitos também espelha a queda no número de nascimentos e a diminuição da incidência de doenças a partir dos programas de prevenção e da atuação das equipes de Saúde da Família. A explicação faz sentido, mas não dá para ignorar as constantes notícias de crianças e adultos que morrem à espera de leitos de internação pelo SUS.
O problema não é simples de resolver, pois é necessário dinheiro e uma boa gestão desses recursos. Pena que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. Só quem busca um atendimento nas unidades de saúde pública sabe o calvário que é tentar uma consulta ou uma cirurgia. Tudo é reflexo da carência de um atendimento humanizado para que o usuário do SUS não seja apenas número na lista de quem precisa de um leito, um exame ou uma cirurgia.
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