Percussionista do Rappa é baleado no Rio
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de agosto de 2002
Agência Estado 
Rio Um ano e nove meses depois que o baterista Marcelo Yuka, da banda O Rappa, ficou paraplégico após ser baleado por bandidos, o percussionista do grupo, Paulo Sérgio Santos Dias, o Paulo Negueba, de 21 anos, foi ferido a tiros na noite de sexta-feira. Segundo o holandês Nanko van Buuren, diretor da organização não-governamental (ong) Íbis, que coordena o Afroreggae, projeto social que atua na Favela de Vigário Geral, no Rio, onde o músico mora, Negueba tem certeza de que os dois tiros que o atingiram foram disparados por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, que realizava uma incursão no local.
Atingido no tornozelo direito e nas costas, Negueba foi operado pelas equipes cardiovascular e de ortopedia do Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Segundo um médico, ele estava lúcido. Um dos tiros causou fratura na tíbia direita e rompimento de vasos de Negueba. Segundo o empresário da banda, três pinos foram implantados no percussionista.
Buuren contou que a cirurgia foi bem-sucedida e que os dois tiros que ele levou nas costas não causaram danos graves. Em boletim, os médicos informaram que tiveram de reconstruir o osso. Eles disseram não saber se haverá sequelas. À tarde, Negueba seria transferido para o hospital Copa D'Or, em Copacabana, zona sul.
Em nota oficial, a PM afirma que baleou apenas um traficante. Identificado como Joel de Jesus, segundo a PM, ele disparava tiros de fuzil contra os policiais e foi morto. Outras duas pessoas, porém, ficaram feridas: Rogério Rodrigues dos Santos e Élcio Pereira do Nascimento. Yuka foi baleado em novembro de 2000, ao tentar evitar um assalto, na Tijuca, na zona norte do Rio. Negueba foi alvejado quando seguia para casa com uma amiga, para tomar um banho e ir para um show em Queimados, cidade na Baixada Fluminense.


