Pequenas e médias empresas - Guilherme Cabral
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Guilherme Cabral 
Fiquei espantado com o extraordinário êxito de 25th Internacional Small Business Congress, recentemente promovido pelo Sebrae e pela Associação Comercial de São Paulo, em São Paulo. Número elevadíssimo de participantes, interesse das autoridades da República, do Estado e do município, industriais, comerciantes, banqueiros, deputados e senadores recém-reeleitos ou eleitos. Eles participaram com teses e comunicações da mais alta importância para a avaliação da categoria de pequenas e médias empresas na economia e no desenvolvimento das nações. Isto nos dá a oportunidade de analisar-lhes a posição, pois além de congressista fui conferencista-debatedor do painel mais específico do evento.
Volto a insistir na tese de que, sem empresas pequenas e médias não há economia. Atrás da maior empresa do mundo - a General Motors - estão dezenas ou centenas de milhares de empresas, que não aparecem, que são obscuras, mas que empregam, produzem e concorrem para o formidável PIB americano. Transposto o exemplo para o Brasil, temos o mesmo fenômeno, isto é, não há grande economia sem as pequenas empresas e médias empresas, espalhadas por todo o território nacional, com seus empregados em número reduzido, comparativamente com as grandes empresas.
Num debate entre os conferencistas, na sede da Associação Comercial de São Paulo, ouvimos o canadense John A. Bolloch, Ph.D. Descobrimos que ele é o fundador de uma universidade originalíssima, a The Virtual University for Small and Medium Sized Enterprizes, em funcionamento em North York, Ontario. É uma iniciativa, explicou-nos ele, destinada a formar quadros para as pequenas e médias empresas, em geral esquecidas pelas escolas de administração, inclusive do Brasil, dos Estados Unidos, do próprio Canadá e da Inglaterra. Seria oportuno para o Brasil voltar-se para essa categoria, tomando como exemplo a instituição já fundada e funcionando no Canadá, segundo o doutor Bulloch, com apreciável sucesso, para o apoio técnico, profissional e administrativo dessa categoria.
Não podemos esquecer, também, que a apresentação visual clássica de pequenas e médias empresas é de três círculos entrelaçados: a família, a propriedade e a própria administração da empresa. Atrevo-me a garantir que a iniciativa canadense tem que ser adotada e implantada na estrutura administrativa das pequenas e médias empresas brasileiras. Aprenderemos, assim, que o planejamento de longo prazo é necessário nas interseções desses círculos para proporcionar transições e continuidade suaves que capacitarão as referidas empresas a sobreviver a seus fundadores. Aí revertemos os índices alarmantes das que morrem antes do seu aniversário.
Hoje popularizou-se o uso da palavra estratégia para descrever as características básicas da combinação que tais empresas conseguem com seu ambiente sócio-econômico. Não faz muito tempo, porém, que o termo mais popular em uso era política empresarial, resultante de um enfoque na formulação de políticas e procedimentos.
Mas congressos se realizam para o debate de idéias, iniciativas, experiências e coleta de subsídios. O 25th ISBC, recém-encerrado, deu prova de sua necessidade e de como podemos aproveitar suas condições. Foi essa mais uma das atribuições altamente valiosas do Sebrae e da Associação Comercial de São Paulo, sem que a mídia tivesse lhe atribuído importância, como era devido às maiores geradoras de tecnologia e de empregos no mundo inteiro.
Não se tenha dúvida, no entanto, que as contribuições dadas pelos participantes vão permanecer e frutificar, podendo, mesmo, dar origem a uma ou mais faculdades semelhantes à canadense, no interesse da economia brasileira, hoje um dos esteios da economia mundial. Têm, pois, de ser levadas em consideração as pequenas e médias empresas.
- GUILHERME CABRAL é PH.D. em Economia, autor e consultor em Londrina


