Pequenas cidades ainda menores
A manchete desta FOLHA de ontem mostra um fenômeno que está sendo observado no interior do Paraná - e também em outros Estados. Quase 43% dos municípios paranaenses viram sua população encolher nos últimos 10 anos. A lista é encabeçada por Altamira do Paraná, que perdeu 38,8% de sua população, seguida por Nova Cantu, com redução de 25,1%. Os números são do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Análise feita pelo Núcleo de Estudos Sociais e Populacionais do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) aponta que as regiões Centro-Oeste e Norte Pioneiro se mantêm entre as que mais sofrem perdas.
Entre as razões apontadas para essa movimentação estão a falta de boas oportunidades e a pouca chance de qualificação profissional. Ana Lúcia Rodrigues, doutora em Sociologia Urbana e com pós-doutorado em Urbanismo, ressalta que os municípios que apresentaram taxas negativas de crescimento estão em áreas cuja estrutura econômica têm base agropecuária e atividades primárias tradicionais, sem incorporação de tecnologias modernas.
A redução no tamanho demográfico de quase metade dos municípios mostra que as altas taxas de crescimento estão concentradas em apenas algumas regiões. ''Ou seja, concentra-se população porque os investimentos econômicos também estão sendo concentrados. Este é um problema que não pode ser resolvido no âmbito municipal, e sim com planejamento regional, que rompa o desenvolvimento baseado em desigualdade e injustiça social, além de desinteresse, incompetência e omissão dos gestores públicos'', alerta Ana Lúcia.
Mas além de perder população, o dado vai impactar os cofres dos municípios. Os resultados trazem, para 11 deles, a indesejável redução na cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma das principais fontes de recursos da maioria das pequenas prefeituras.
Para reverter essa situação, será necessário maior atenção do poder público, principalmente Estadual e Federal, em relação às cidades interioranas, descentralizando investimentos econômicos. Dessa forma aumentam as boas oportunidades de trabalho, mantendo - ou pelo menos retardando - o êxodo do interior.





