Pequenas ações de grande importância
Pequenas ações de cidadania, desenvolvidas pela comunidade, melhoram a qualidade de vida de um bairro ou de uma cidade, pequena ou grande. É uma forma de o povo se adiantar às providências do poder público, que demoram a chegar ou nunca chegam. Se os cidadãos pagam impostos para, em troca, receber benefícios, certas tarefas comunitárias que devem ocorrer sem prejuízo das lutas reivindicatórias produzem resultados imediatos, além de estimular a união das pessoas de uma mesma rua, de um mesmo bairro ou da cidade no geral. Notícia de ontem deste Jornal mostra que moradores voluntários de um bairro da zona sul de Londrina organizaram-se e começaram a plantar árvores, limpar um fundo de vale, retirar lixo jogado aleatoriamente, e outras providências. A obra não vai cessar aí, porque a intenção é também gramar a área do vale e zelar pela água dos ribeirões ali existentes. A idéia partiu da associação dos moradores, e verdade se diga nesse movimento a Secretaria Municipal de Meio Ambiente auxiliou, doando as mudas das árvores, assim como também duas empresas construtoras deram sua contribuição. Fatos como este demonstram que um padrão de vida melhor se obtém por muitas maneiras, seja pela ação direta das pessoas colocando mãos à obra, seja por intermédio de movimentos de pressão junto às autoridades, quando uma providência for de sua exclusiva competência. Evidencia-se dessa forma o salutar princípio de que a melhoria de vida de um povo começa pela ação de cada um, ou de cada pequeno grupo comunitário. Se as coisas desagradáveis que ocorrem como agora os escândalos da corrupção no âmbito de poderes da República contaminam as mentes de toda a população e geram desencantos, é certo que também a movimentação pelas boas causas tem o condão de unir os cidadãos e semear correntes estimuladoras. Um pequeno movimento de 'amigos da rua', de 'amigos do bairro', de 'amigos da cidade', é o ponto de partida para uma empreitada mais abrangente, envolvendo questões de relevância regional ou nacional. É a nação unida que move os governos, porque se esta se cala, os poderes públicos se acomodam como, infelizmente, ocorre neste país e passam a crer que tudo vai bem e que o povo está satisfeito. E se cada indivíduo e cada agrupamento social, além desse algo mais, também cumprirem com sua parte, como cidadãos responsáveis e vigilantes, sem dar trégua aos governantes nos momentos de reagir e de reivindicar, irão reagrupando mais gente ao redor de cada causa, até se formar uma vigorosa força, e então as autoridades públicas irão encontrando menos espaço para recuos e menos campo para as improbidades. Não serão os governos que modificarão mentalidades, no seio do povo, mas é o inverso que acontece. A vigilância constante e as vontades populares manifestadas com desassombro é que farão melhores os governos.





