Pentecostes: vem Espírito Santo
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina 
Sabemos preparar bem o Natal e a Páscoa. Pentecostes passa despercebido. É apenas um dia. Na verdade, o Espírito Santo ainda contínua o "Deus desconhecido". Há sinais e símbolos para facilitar a compreensão de Pentecostes: terremoto, vendaval, incêndio, barulho, entendimento entre as nações, língua e linguagem.
Alegremo-nos com o Pentecostes do pontificado do Papa Francisco que está rejuvenescendo a Igreja, transformando a sociedade, revitalizando a alegria do Evangelho, promovendo a "revolução da misericórdia".
Na Igreja do Brasil, o Pentecostes de 2015 é marcado pelo Ano da Paz, pela Reforma Politica, pelo aumento do terço dos homens, pelos frutos do Ano da Vida Consagrada e pelo projeto "Igreja, comunidade de comunidades". Em Pentecostes os apóstolos deixam o medo e enchem-se de desassombro, saem do Cenáculo e vão para as ruas, as casas, as nações. Os Atos dos Apóstolos são atos do Espírito Santo.
O Espírito Santo cura o que é doente, consola o aflito, enche o coração de luz, de alegria e de paz. Lava o que é sujo, faz a faxina do íntimo do ser humano, irriga o que é árido, aquece o que é frio, faz voltar o que se desviou e dobra as mentes e os corações resistentes, petrificados, teimosos.
Graças ao Espírito nós adquirimos uma psicologia de filhos, somos tomados de afeto filial para com o Pai, vibramos por Jesus, recuperamos o encantamento pela Palavra de Deus, adquirimos o sabor pelas coisas de Deus. O Espírito Santo concede a cada época o que mais convém para o bem da humanidade. Ele está presente em cada momento, em cada hora, é o "Espírito do agora".
Tudo isso acontece porque Espírito significa energia, irrupção, movimento, moção interior, transformação, impulso que dilata os corações, abre as mentes, conduz a história, atua nas religiões e nas culturas, desce sobre os pagãos, renova a face da terra. Uma boa pneumatologia facilita o ecumenismo, o diálogo interreligioso, a abertura ao mundo, a criatividade missionária, o entusiasmo pelas ciências e artes. Enfim, o Espírito Santo é o patrocinador do homem, pneumatizador da matéria, organizador do caos, diretor da história universal, mentor dos profetas, advogado dos injustiçados.
Graças ao Espírito temos o progresso da compreensão do dogma, a atração pela Palavra de Deus, a evolução da teologia, a intensificação da mística, a irrupção de santos e santas na Igreja, a compreensão dos mistérios da fé, a expansão da Igreja.
Quem se deixa guiar pelo Espírito não se apoia só nos cálculos, controles, tradicionalismos, fechamentos, pois o Espírito nos abre ao diálogo, ao pluralismo, à diversidade, à diferença, sem confundir nossa identidade. Tolerância, afabilidade, pluralidade, diferença,compaixão são coisas do Espírito que atua também fora dos limites da Igreja.
Graças à unção do Espírito o povo de Deus, em comunhão com o magistério é infalível no crer. Precisamos enfocar em nossos dias este dom da infalibilidade "in credendo" (no crer). Percebemos que o povo tem o instinto, o faro, a percepção, o cuidado pelas coisas da fé. Quantos de nós aprendemos com o povo a amar os santos, a rezar o terço, a participar de procissões, a rezar pelos mortos etc. Sim o Espírito inspira de um lado a religiosidade popular e de outro lado a tradição da fé.
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