Penso, logo existo!!
Penso, logo existo!!
Ricardo Prochet
O mundo está em crise. Crise econômica, crise de cultura, crise de idéias, crise de ética, crise de educação, só para citar algumas. Descartes, na sua preocupação de tudo formalizar, impôs regras para tudo, até para o pensamento. Sua grande preocupação era com o erro. Foi para evitar o erro que ele baniu do modelo as emoções como atrapalhadoras do conhecimento. Para ter um ponto seguro de partida para o conhecimento, ele propôs o raciocínio a partir de um axioma, ou seja uma verdade incontestável. O axioma que propôs foi o famoso Penso, logo existo! Mas esta entidade que pensa está separada de seu contexto, de seu corpo, de suas emoções, é, pois, uma coisa pensante.
O ser humano tem racionalizado tanto, formalizado tanto que perdeu de vista o ser pulsante, o ser vivo que vive dentro de nós e dos outros. Essa racionalização e essa formalização são o ponto focal da crise do ensino brasileiro, que temos lamentavelmente observado em qualquer área da transmissão do conhecimento, seja em nível de 1º, 2º ou mesmo 3º grau.
Não é a toa que os provões realizados pelo Ministério da Educação e Cultura tenham produzido panorama tão assustador em relação a qualidade do ensino brasileiro, pois nos últimos anos, pouco, ou quase nada tem se feito em relação a adaptações necessárias para que a transmissão do conhecimento seja seguida ao desenvolvimento pessoal e intelectual do aprendiz.
O papel fundamental e indelegável do mestre. Consiste em ensinar ao aluno a aprender, pois a formalização e racionalização, com métodos de ensino totalmente voltados a um único objetivo, que seria sua aprovação inconteste no vestibular precisa ser imediatamente repensado.
Primeiramente, é necessário que fique bem entendido que a problemática da educação no Brasil diz respeito ao homem brasileiro e que, sob todos os aspectos, vem a ser a origem, o principal agente e o fim de minhas preocupações.
A educação se manifesta, sempre, por uma mudança de conduta, orientada progressivamente pela experiência, num sentido valorizado. Em resumo: dizemos que alguém se educou quando apresenta novas formas de conduta e estas são consideradas melhores do que as anteriores.
Quando falamos em educação, devemos abandonar todos os estreitos esquemas formais de querer identificá-la com a escola ou, pior ainda, apenas com o ensino de crianças e adolescentes, desprezando toda a experiência social que nos envolve.
Na verdade é necessário que se crie novo modelo de educação que pode ser visto como uma interação entre o sistema formal e o sistema não formal, sendo a escola o agente responsável por proporcionar ambas estruturas, uma nos bancos escolares por professores gabaritados e titulados e outra extramuros, com visitas a instituições, teatros, hospitais, estudos de casos práticos, etc., proporcionados por profissionais de cada ramo do saber, tudo sempre retroalimentando o sistema para que haja uma ligação saudável entre as duas estruturas. Agindo dessa forma, a sociedade poderá ver perfeitamente delineada e limitada a posição da Filosofia da Educação por um lado e de sua Estratégia e Administração do outro.
Tradicionalmente e erroneamente a educação é vista, no Brasil, como vinculada à escola, desprezando-se os meios e o potencial educativos dos processos sociais em geral e de veículos de comunicação. O nível de interação é quase sempre nulo e, na melhor das hipóteses, baixo.
Educação não é um processo social autônomo, é ação integrada. O que se observa no Brasil é uma quase total desvinculação do processo educativo de outros mais amplos e gerais. Desse modo, não se constata qualquer ligação explícita ou mesmo implícita da educação com os seus próprios objetivos o que a torna um processo alienado e desvinculado de seu mais importante fim a formação plena do cidadão.
- RICARDO PROCHET é professor universitário em Londrina
e-mail:[email protected]
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