Pensar antes de odiar
Avisem o povo que dele emana o poder e aos representantes deste povo que seu dever é melhorar as condições de vida de todos. Já dizia Bertold Brecht que: "o pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da carne, do arroz, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo".
Houve muita luta e sofrimento no decorrer da história política deste país, empenho e esperança de indivíduos que acreditaram em sonhos e lutaram por ideais. Hoje nos é assegurado o direito de participarmos da política, de discutir abertamente como obter melhorias. No entanto, nada muda sem a tomada de consciência do povo sobre a cidadania e a necessidade de participação ativa na política.
Com a política as pessoas se relacionam e o país se organiza. Esta não é a arte de corromper e ser corrompido, de satisfazer a interesses próprios, mas sim o pensar no bem comum, no benefício da sociedade como um todo. Há os que dizem abominar a política, sem a consciência de que esta, quando praticada da maneira correta, em benefício de todos, é a forma mais rápida e eficiente de obter resultados.
Vivemos em um país chamado Brasil, onde pela democracia se impõe que todo o poder emane do povo, que o exerce indiretamente através do voto e diretamente como se faz discutindo, tentando buscar soluções e devendo exigir que o Estado o ouça. Nos é dado o direito e o dever de exercer o poder na forma harmônica, da maneira que dispõe a lei e não da maneira que atenda a interesses de grupos imorais e sem consciência da necessidade de justiça e paz social.
Aproximam-se as eleições, ocasião em que optaremos pelos nossos representantes, aqueles que promoverão a melhoria ou a degradação de nosso país, aqueles que deverão conhecer e solucionar os problemas que a todos cabe resolver, problemas presentes em nosso cotidiano. Há os que aspiram obter ou manter o poder, o aparecimento de ideias e ideais, posições moderadas e extravagantes, a tímida, porém presente, esperança dos eleitores.
Fosse só a beleza do debate, da busca de soluções para os problemas nacionais. Triste saber que existe a politicagem e a politicalha, a corrupção e a desonestidade, a falta de compromisso de pessoas que se dizem políticos e levam à lama esta classe, que deveria ser de homens admiráveis, que não medissem esforços para promover o bem comum.
Existem, existiram e existirão, um dia em maior número, políticos, homens públicos comprometidos em amenizar as dores e sofrimentos de nossa população, homens que mudam a realidade das situações e por isso são admirados.
Gostaria de ver um povo decidido a fazer valer suas opiniões, consciente da importância e do significado do ato de votar. Gostaria de ver candidatos dignos e merecedores do voto deste povo, comprometidos com a árdua missão que se dispõem a exercer. Gostaria de assistir uma disputa limpa e sem covardia. E, por fim, que fosse respeitada a decisão dos eleitores.
Finda a disputa, vencidos e vencedores tornassem-se companheiros na luta pelos interesses coletivos para que cada indivíduo viva uma vida digna e possa estudar, trabalhar, divertir-se, ter paz, moradia, oportunidades, enfim, poder sonhar e realizar sonhos.
DANILO FERNANDO DE OLIVEIRA, advogado em Andirá
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