O Brasil vivencia os mais variados problemas, nas mais variadas esferas. Nada de novo, correto? Para o representante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), regional de Londrina, Flaubert Semprebom, a solução está em planos de Estado, com a criação de gestores de cidades (''city managers'') - ''pessoas que detêm o conhecimento e elaboram planos, independente do governante que ingresse no poder'', explica Semprebom. Confira os principais trechos da entrevista concedida à FOLHA.

Quais as atribuições da Adesg?
A Adesg é uma sociedade sem fins lucrativos, formada por cidadãos civis, fundada em 7 de dezembro de 1951. Hoje, existem no Brasil 72 mil adesguianos. Em Londrina, a entidade já capacitou, em 12 ciclos de estudos em política e desenvolvimento estratégico, em torno de 700 pessoas. Sempre buscamos, em primeiro lugar, discutir as questões de cidadania e civismo, sempre com objetivo de buscar e capacitar projetos em torno de uma política de Estado e nunca uma política de Governo.

Em linhas gerais, em que consistem esses projetos?
Reunimos todos os conhecimentos de estagiários e adesguianos traçando um plano, seja para a educação, para a segurança ou infra-estrutura, por exemplo, para os próximos 20, 30 anos. Levantamos os problemas, as soluções, e entregamos aos órgãos competentes, sejam eles situados na esfera municipal, estadual ou federal.

A Adesg é vinculada a algum partido político ou está a serviço do governo Lula?
Não. Temos políticos, prefeitos, ministros em nossos quadros. O próprio vice-presidente da República é adesguiano. Não somos militantes de nenhum partido político e sim do Estado brasileiro. Somos ligados à Escola Superior de Guerra do Rio de Janeiro (ESG), que por fim é ligada ao Ministério da Defesa.

Dos políticos, então, o que se extrai são as idéias?
Exatamente. O que procuramos é a diversificação de idéias. Dentro da ESG, mesmo, já tivemos o líder do MST com ministros e chefes de Estado palestrando e expondo suas vertentes de pensamento. A intenção é sempre que isso se reflita no bem comum da nação.

Dentro dessa política de Estado, quais os exemplos e sugestões?
No meu ciclo, junto com o tenente coronel Luiz Carlos Deliberador, fizemos um trabalho de conclusão de curso justamente na questão de cidadania e civismo na diminuição da violência. Nesse ciclo, fizemos uma problemática de Londrina junto a dois softwares, que são usados dentro da ESG, da Petrobrás e do mais alto staff do governo federal, com projeções para os próximos 20, 30 anos, na educação e na saúde. Agora, estamos compilando essas informações que serão entregues ao poder público local.

Vocês citam a criação dos ''city managers''. O que vêm a ser?
Sou muito nacionalista. Prefiro dizer que são os gestores de cidades. Cito, como exemplo, São Caetano do Sul e algumas cidades do interior paulista, bem como, olhando para o exterior, municípios do Canadá. São pessoas que detêm o conhecimento e elaboram planos para as cidades, independente do governante que ingresse no poder. Ibiporã, por exemplo, sempre teve uma preocupação com a questão da água. Há 30 anos, foi traçado um plano de desenvolvimento na questão de saneamento público para a cidade. Hoje, Ibiporã tem 100% de água tratada, 97% de esgoto e, desses 97%, a totalidade recolhida é tratada. Quando há a preocupação a longo prazo, seja em segurança, saúde ou demais áreas, temos, lá na frente, bons frutos.

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