PENSANDO NO FUTURO - 'Aposentadoria deveria ser de um ou dois salários mínimos'
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sexta-feira, 01 de outubro de 2010
Érika Gonçalves<br> Reportagem Local 
Se aposentar e não precisar trabalhar - ou pelo menos fazer só o que gosta - é desejo da maioria. Se isso vier por volta dos 60 anos, melhor ainda. Mas essa é uma realidade cada vez mais distante para os brasileiros. Com o aumento da expectativa de vida, a possibilidade de haver mudanças no cálculo da aposentadoria aumenta muito.
O governo trata o assunto com cautela. Parlamentares defendem a mudança, mas garantem que deve permanecer o direito adquirido. Quem ingressou no mercado de trabalho nas atuais regras, portanto, deve se aposentar de acordo com elas.
Helder Molina, presidente da Mongeral Aegon, empresa de seguros e previdência e um dos maiores especialistas do País no tema, acredita que uma das mudanças necessária é estender a idade mínima para se aposentar, reduzir os valores a serem pagos e fazer uma complementação através da previdência complementar. ''Se olharmos o modelo americano, por exemplo, se cobre um ou dois salários mínimos, não dez salários mínimos igual ao Brasil. O País não vai aguentar'', polemiza.
O modelo atual de previdência é adequado?
O Brasil consome hoje um percentual enorme do PIB (Produto Interno Bruto) em previdência pública, se compararmos com os outros países no mundo. O custo que temos hoje é comparado com países muito mais maduros, onde o percentual de pessoas acima de 60 anos é o dobro ou o triplo do Brasil. Esses países gastam hoje menos do que o Brasil em termos do percentual do PIB. Isso indica que alguma coisa está errada e certamente vai ser muito difícil o governo conseguir ao longo desses anos entregar todos os benefícios que estão à nossa disposição. O que deveria ser feito é a preservação do modelo de hoje, para não mexer no direito adquirido das pessoas, mas criar um novo modelo para os novos entrantes.
E como deve ser esse modelo?
Deve cobrir as necessidades básicas. Se olharmos o modelo americano, por exemplo, se cobre um ou dois salários mínimos, não dez salários mínimos igual ao Brasil. O País não vai aguentar. Além disso, (deveria ser instituída) uma idade de aposentadoria mais longa. Hoje já está provado que as pessoas vão viver mais. Vivendo mais, têm condições de contribuir mais. Por que aposentar tão cedo?
O fator previdenciário é adequado?
É adequado, ele começa a equilibrar um pouco, mas está longe do que precisa ser feito. Toda vez que você vai mexer no modelo não agrada ninguém. Só que temos que pensar que se colocarmos tudo isso para a Previdência, vamos deixar de fazer saúde, educação, segurança. (A Previdência) Tem que ser olhada como um todo e as pessoas entenderem que vão ter que contribuir para a previdência complementar.
O senhor acredita que se continuar neste mesmo modelo, a Previdência vai quebrar?
Não é que vai quebrar, ela vai consumir do País um percentual enorme do seu PIB. Se ela consome muito, o País vai ter que deixar de fazer outras coisas.
O senhor acredita que limitar a aposentadoria pela previdência pública em dois salários seria a solução?
Acho que tem que limitar os benefícios principalmente para garantir a subsistência mínima das pessoas. (Para) O resto as pessoas têm que buscar a sua poupança ao longo da vida.
A alternativa é a previdência privada então?
Seria a previdência complementar, ou até um fundo de pensão, um fundo instituído.
Como fica a camada mais baixa da população, que não tem como contribuir com isso?
Ela tem que se educar. Todo mundo tem que contribuir. Se você começar a contribuir cedo, você vai conseguir. O mercado brasileiro é carente de educação financeira. Educação financeira para nós não é só previdência, é uma gama de outras coisas, desde saber fazer um orçamento familiar até ser previdente. Ser previdente é fazer seguro da casa, do carro, plano de saúde, cuidar dos três riscos a que você está exposto: morte, invalidez e sobrevivência.


