José Tavares
Dono de um dos mais modernos sistemas penitenciários do país, o Paraná sai na frente outra vez com a inauguração da primeira Penitenciária Industrial do Brasil, no município de Guarapuava. Também será a primeira unidade onde todos os serviços prestados serão terceirizados, ficando a cargo do Estado o gerenciamento através da direção, vice-direção e chefia de segurança da unidade.
Preocupado em proporcionar um cumprimento de pena humano e justo, voltado para a recuperação e a reintegração social do detento, o governo do Estado vem investindo pesadamente na construção de novas unidades e na modernização das já existentes.
Os resultados podem ser vistos através de números. O índice de reincidência criminal aqui fica em torno de 30%, um dos mais baixos do País. No Paraná, mais de 70% dos presos trabalham. Em algumas unidades, como a Penitenciária Feminina e a Colônia Penal Agrícola, este número chega a 100%. Do total dos detentos, 45% estudam dentro das penitenciárias e mais de 50% dos nossos internos já passaram por um curso profissionalizante.
Isto tudo permite que esses presidiários tenham um cumprimento de pena digno, como prevê a Lei de Execuções Penais, e também contribuam com o sustento de suas famílias e ainda paguem ao Estado uma parte do prejuízo que causaram à sociedade, uma vez que 25% dos seus ganhos são revertidos para um Fundo que ajuda a administrar as penitenciárias.
Todas estas conquistas não são apenas dos presos, são da sociedade principalmente. Pois, uma vez que diminui o número de reincidência, evita-se o aumento da criminalidade.
Foi pensando nisso tudo que o governador Jaime Lerner concebeu o projeto das penitenciárias industriais, locais onde os detentos pudessem se dedicar ao aprendizado e exercício de uma profissão dentro de uma verdadeira fábrica. Ali, os internos também terão acesso à educação, do ensino básico ao ensino médio, farão um rodízio de atividades, onde aprenderão outros ofícios além do industrial, como panificação, técnico de lavanderia, cozinheiro, jardinagem e auxiliar de serviços gerais, entre outros.
Na Penitenciária Industrial de Guarapuava, uma parceria com a Indústria de Estofados Azulbras está permitindo a formação de montadores de sofás. Estes detentos-operários ganharão um salário mínimo por uma jornada de trabalho diário de oito horas, como um trabalhador normal e, como prevê a lei, a redução de um dia da pena a cada três dias trabalhados.
As famílias desses internos dormirão mais tranquilas pois, além de contar com a ajuda financeira no final do mês, sabem que seu familiar estará recuperando a dignidade e autoconfiança, além de estar com a cabeça ocupada no trabalho e no estudo. Com a família vivendo melhor, o detento cumprirá a pena com mais tranquilidade, evitando fugir e participar de motins e rebeliões.
Uma nova era no tratamento prisional brasileiro está surgindo com a inauguração da Penitenciária Industrial de Guarapuava. E nasce no Paraná, berço de transformações e soluções humanas comprometidas com o social.
É mais um importante exemplo que o Paraná dá ao Brasil, sobretudo numa área tão crítica quanto a prisional.

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