Se uma prisão de segurança máxima é instalada, não se espera que não receba os piores bandidos. Fernando Beira-Mar foi o primeiro a chegar à nova penitenciária paranaense, a de Catanduvas, e outros desse quilate virão. A pequena cidade não conseguirá escapar do estigma de, muito breve, ter na moderna casa de detenção o seu referencial máximo. Ou seja, o nome Catanduvas passará a ser um sinônimo de presídio. Lugares isolados da civilização seriam os mais adequados para abrigar casas de detenção para delinquentes de altíssima periculosidade, porque para transportá-los não serão necessários aeroportos, nem rodovias, pois para isso existe o helicóptero. Enquanto soluções mais civilizadas, como colônias de recuperação de encarcerados, não forem adotadas (e se elas não conseguirem ressocializar todos, o conseguirá com grande parte), a opção por construir penitenciárias nos arredores das cidades facilita muitas coisas mas também cria grandes problemas. Um deles, um raio mais potente de alcance da comunicação por telefonia entre as facções do cárcere e as de fora. Em breve as 208 celas do presídio de Catanduvas estarão lotadas, e a presença de seus hóspedes nas proximidades de um centro urbano caso de Cascavel, que dista dali apenas 50 quilômetros é sempre um grande risco. E não só pela eventual fuga de presos, embora difícil numa fortaleza como essa, mas pelo risco de comparsas se instalarem nesse círculo para intermediar as ordens dos PCCs. Essa sigla, que se origina de Primeiro Comando da Capital (SP), já se converteu numa instituição e numa marca de terror, e onde estão os bandidos de elite lá está ela. A penitenciária de Catanduvas muito provavelmente acabará tendo o seu PCC, assim como os quatro presídios do gênero que serão instalados em Campo Grande, Mossoró, Porto Velho e Espírito Santo. O problema da delinquência tem sua causa no desemprego, nas misérias sociais, na natural propensão de muitos para o crime e na baixa escolaridade, que dificulta oportunidades de vida decente. Mas depois que a negligência dos governos e da sociedade permitem que o mal se instale, há que buscar caminhos de ressocialização da população carcerária. E se os casos tidos como irrecuperáveis apontam para as prisões de segurança máxima, esse inevitável recurso deveria, pelo menos, merecer estudo mais aprofundado, tomando-se como exemplo instituições prisionais do gênero existentes no mundo localizadas em pontos de acesso restrito e de difícil fuga. A presença de Beira-Mar no Paraná é nociva pela possibilidade de ação intramuros desse preso notório e também pelo poder imanente que poderá exercer na interelação com os companheiros de outros pontos. As vinganças costumeiras poderão não atingir a pacata Catanduvas, mas outras cidades do Estado. Paira uma ameaça de os PCCs agirem em Curitiba e Foz do Iguaçu, conforme se tomou conhecimento. O território brasileiro é extenso e dispõe de lugares mais adequados do que a proximidade dos centros urbanos para instalar essas sinistras hospedarias.

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