Robson Mafioletti, assessor técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), diz que o Brasil não pode ignorar o principal mercado importador do mundo, com PIB de US$ 10 trilhões. Mas há empecilhos pelo caminho, a começar pelo fato dos Estados Unidos serem o principal concorrente no setor de produtos agrícolas, que mantém subsídios acima do preço de mercado. Ele entende que para fazer frente à intransigência norte-americana de só tratar de subsídios na OMC, o Brasil está certo ao propor o mesmo foro para discutir as questões das compras governamentais e investimentos diretos na economia brasileira.
''É uma estratégia para forçar a barra e abrir a negociação. Não podemos aceitar do modo que eles querem fazer'', comentou. Se por um lado defende a necessidade de integrar a Alca, Mafioletti lembra que para não ficar dependendo apenas de um bloco, o País tem de se dedicar para fechar o acordo entre o Mercosul e a União Européia. Ele lembrou ainda que, a partir de 12 dezembro, as empresas exportadoras brasileiras terão um custo adicional para vender aos EUA. Com a entrada em vigor da lei de bioterrorismo, as empresas serão obrigadas a manter escritórios nos Estados Unidos. ''No fundo, isto representa mais uma barreira para nós.''
Carlos Augusto Albuquerque, assessor técnico da Faep, disse que se, por um lado, pode haver benefícios na área industrial, na agricultura há pendências sérias que os EUA teimam em não resolver, como as barreiras alfandegárias e não alfandegárias, para o suco de laranja, fumo, cotas para o café, cotas e alíquotas para o açúcar, que são produtos produzidos no Paraná. Mas há restrições para a indústria também. ''Impuseram embargos à importação do nosso aço, por causa da ineficiência da indústria deles.''
Albuquerque não acredita que o prazo para a implantação da Alca seja cumprido, porque os EUA irão se voltar para as eleições presidenciais no ano que vem. ''Acho um risco querer apressar as negociações para cumprir o prazo. Aliás estabelecer datas para finalizar negociações desta natureza não é nada bom. Então, é preciso deixar passar as eleições, para retomar as discussões'', disse.S.O.

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