A atuação das milícias, grupos criminosos que têm a participação de policiais, militares, agentes penitenciários, entre outros, voltou à cena com a morte da vereadora Marielle Franco, do Psol do Rio de Janeiro, e seu motorista, Anderson Gomes, no dia 14 de março. Esta semana, com informações de uma testemunha-chave, a polícia carioca chegou ao suposto mandante do crime, o vereador Marcello Siciliano, do PHS, companheiro de Marielle na Câmara. Ele teria planejado o assassinato com a ajuda do ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, que está preso, acusado de chefiar uma milícia. Siciliano nega participação nas mortes.

Não é surpresa o envolvimento de milícias na morte da vereadora e do motorista. Marielle era conhecida por denunciar abusos de policiais e milicianos no Estado. Outro sinal da participação desses grupos é o nível de "profissionalismo" da emboscada que matou Marielle e Anderson. Segundo a testemunha-chave, dois policiais também estavam nos carros usados pelos bandidos para praticar o crime. Em seus depoimentos, o homem disse que trabalhou para um grupo paramilitar e foi segurança do PM que seria chefe da organização. Ele teria tentado deixar o bando, mas foi ameaçado de morte, caso abandonasse a organização. Por isso, em troca das informações, a testemunha está recebendo proteção do Estado.

A atuação de milícias ocorre em muitas cidades brasileiras e, nos últimos anos, pouca coisa foi feita para conter o poder dessas organizações paralelas extremamente violentas. Assim como acontece em territórios dominados pelo tráfico de drogas, não há democracia e paz nas áreas de atuação das milícias. Na última terça-feira (8), o Congresso acordou para o problema e um anteprojeto de lei foi apresentado propondo mudanças no Código de Processo Penal, entre elas elevar a pena máxima de 30 para 40 anos e a federalização dos crimes praticados por esses grupos.

O Congresso tem pressa em dar uma resposta à sociedade. Uma comissão mista com deputados e senadores será criada para apreciar a proposta. A expectativa é que o texto seja colocado em votação ainda no primeiro semestre de 2018 na Câmara e, depois, no Senado. Não é fácil combater essas organizações criminosas. É preciso um trabalho apurado de inteligência, pois o corporativismo é certamente um grande obstáculo.

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