Pelo redespertar do idealismo estudantil
Os estudantes brasileiros já foram mais audazes politicamente, quando uma instituição como a União Nacional dos Estudantes, a célebre UNE, foi a vanguardista de tantas lutas em defesa das causas de interesse da pátria e a elas se acoplava o estudantado de todo o Brasil. A classe estudantil foi uma poderosa força política e reivindicante, a ponto de as facções repressoras e apologistas do retrocesso a manterem sob mira constante. No período militar, líderes desses movimentos foram presos e torturados, por conta das campanhas que promoviam, das passeatas e dos protestos contra o próprio estado da ditadura e seus desmandos, mas também pela razão das muitas reivindicações populares. Hoje a UNE está atrofiada pela acomodação e pela ausência de líderes, e dela não se ouve mais falar. As quase duas décadas de regime de exceção (de 1964 até o final dos anos 80) contribuíram para a castração de lideranças emergentes, e parece haver desabituado os cidadãos desse tempo ao exercício de bradar por seus direitos. Os anos subsequentes vieram sofrendo as mazelas desse marasmo cívico, e só mais tarde na campanha pela volta das eleições diretas e pela deposição do presidente Collor houve um renascimento dos ideais salvacionistas e o patriotismo voltou a ganhar musculatura. Porém, foi uma passagem rápida, porque de então para cá os jovens da época converteram-se em executivos, foram cuidar dos seus negócios, e a nova geração estudantil que veio surgindo e que hoje está em sua plenitude parece haver nascido sem o ''registro genético'' do ardor patriótico. Nos dias atuais a classe política está maculada pela corrupção e pela pouca operância, e os estudantes só promovem campanhas para conquistas ligadas a interesses corporativos de seu próprio meio e cuidam apenas de suas reivindicações pontuais, de baixa relevância. Só aqui e ali fala-se em reerguer bandeiras de luta e promover os outrora agitados congressos estudantis que gritavam contra os desmandos governamentais e os abusos do poder econômico. Mas escasseiam as lideranças e, por isso, esse poder latente da sociedade está desguarnecido. Faltam as cabeças, faltam os ideais, faltam as escolas de formação e falta o espírito de luta, e com isso as táticas foram esquecidas. Sem luta e sem mobilização pouco ou nada se consegue, e assim os corruptos, os insensatos e os incapazes vão tomando conta de tudo e trincam os alicerces das instituições. Por que a reconvocação dos estudantes? Por causa de seu vigor físico, do seu latente destemor uma força que está desperdiçada mas não perdida e porque são eles que irão dar continuidade à administração das coisas deste país, tanto na vida pública quanto na vida privada. A primeira bandeira a ser levantada deve ser a da própria reorganização estudantil como força política.





