Pelo poder de mobilização do povo
Que caiam os maus governantes para que se salvem e se robusteçam as instituições. Este é um ideal da pátria nesta hora crítica, e deve fortalecer-se ainda mais neste dia em que se comemora a emancipação política do Brasil um ato patriótico que ocorreu em momento de exaustão nacional e que clamava por um basta. A nação brasileira vive hoje uma idêntica situação de inconformismo e indignação, pelos desmandos e pela corrupção das cortes da República, e almeja o rompimento dos laços com esse estado de coisas. Se bravos heróis, um dia, tiveram a coragem de proclamar o fim da tirania, esta é a hora de proclamação de um novo grito de independência e de mobilização popular para que sejam apeados do poder os governantes corruptos e corrompedores e se instaure a moralidade. A hora é chegada para uma nova marcha de ''caras-pintadas'', que se celebrizaram em outro momento dramático da vida brasileira, quando, pelo robustecimento do clamor do povo, induziram o Congresso Nacional a destituir um Presidente. O legítimo poder é o que emana do povo, porque capaz de contagiar a si mesmo e mais forte tornar-se, e porque, ante essa força, os governantes têm de curvar-se, ou pela consciência ou pelo temor. Melhor que as lamentações que emanam dos murmúrios das ruas, que as manifestações inflamadas dos discursos, que os pronunciamentos escritos e as palavras de ordem, será a ação, ordeira mas decidida. Está demorando demais o afastamento dos políticos sabidamente corruptos, uma atitude que, se por si só não significará a extirpação da corrupção, será uma demonstração de respeito ao povo. As atenções estão voltadas para Brasília, mas apenas isto não é suficiente. Será preciso mobilização, que pode começar numa rua de qualquer cidade e venha a se espraiar pelo país inteiro, reacendendo o patriotismo que adormece no peito de cada brasileiro mas que tem hora de acordar e é capaz de grande furor quando desperto. Se os patrícios desta terra, gigante por própria natureza, desejam realmente a liberdade, sabem que só a conquistarão pelo desfraldar das bandeiras, pela marcha e pelo brado, que precisa ser retumbante e contínuo e faça estremecer o chão da pátria. Se o Brasil-cidadão, pelo seu trabalho, pela sua capacidade e perseverança, mantém os alicerces da economia e vai tocando o País, apesar dos entraves antepostos pelo Governo, não pode permitir a continuidade da ação dos bandoleiros que ora ocupam funções governamentais, eletivas ou não, e se locupletam às custas do sacrifício do povo e, pelos seus atos, ainda se postam arrogantes e debocham da opinião pública.





